12 de jul. de 2026

O Senhor do Ponto e o Cão na Janela

Crônica "O Senhor do Ponto e o Cão na Janela"


Desde que descobri que há um local em outro bairro onde as pessoas podem soltar os cachorros para se divertir, tenho ido até lá para dar uma volta e deixar o nosso cão mais contente entre os pequenos e grandes da espécie dele. Espero que eu não tenha feito você pensar que as pessoas iam neste local para xingarem umas com as outras como forma de “soltar os cachorros”. Não era esta a minha intenção, embora eu tenha convicção que você possa ter imaginado a cena de um parque gramado onde isso poderia ocorrer. 

Shih tzus, galgos, golden retrievers, labradores, border collies, pugs, lhasa apsos, os ínfimos e extremamente nervosos pinschers e, inclusive como o meu, vira-latas caramelos, correm e brincam como se não houvesse o amanhã. Todos os cachorros, aqueles que são fruto de seleção artificial humana ou natural, vão até as portinholas do parquinho receber os novos amigos que chegam. Novos amigos entram, eles se cheiram e depois vão correr ou fazer outra coisa. Ainda não vi neste parquinho qualquer indício de cachorros das tão aclamadas raças antes muito comuns como pastores alemães, yorkshires e poodles. É incrível como até no mundo pet há uma certa moda. Por onde andam os pequineses com aqueles dentes de baixo sempre a mostra!? 

Com isso, agora faço parte de uma outra confraria intrigante além de outras que já faço parte: a confraria dos tutores de cachorros que vão ao pequeno parque cercado e bem cuidado para apreciarem os seus cães brincarem uns com os outros. Alguns não “brincão”, com o perdão do neologismo, apenas latem com os outros cães, como delegados ou madres superioras que querem mandar nos subalternos. O meu cão, o Sushi Temaki Parmegiana, tem uma determinação na vida: tudo à sua frente é algo que precisa ser devidamente demarcado com a sua urina. 

Tudo! Desde postes e árvores, que são as vítimas mais tradicionais, até pequenas folhas soltas no chão, alambrados, pedras e qualquer coisa que possa significar um mictório canino. 

E o nome do nosso cachorro, você gostou? São dois pratos que eu e minha filha gostamos e, na época da chegada do Sushi, pensamos que o gosto dela por temaki e o meu pelo bife a parmegiana fosse uma boa ideia para um sobrenome inusitado para o cãozinho. 

Enquanto outros cães correm, pulam, ele está mijando por tudo ao redor do campinho lindamente gramado nos fundos da praça belamente planejada e cuidada. Tudo é altamente “mijável” para ele, por mais que o corretor ortográfico digital queira que eu altere para “amigável” o termo que acabei de usar. Não à toa enquanto vamos até lá de carro ele está em todo o percurso choramingando na janela com o vento nos pelos e pensando “em tudo isso eu poderia mijar, mas está passando bem na frente dos meus olhos…”. 

Na rua, este instinto dele é algo tranquilo de se lidar, mas você não imagina o problema que é dentro de casa. Cortinas, vasos, sofás e até cadeiras podem ser premiadas com o infalível mijo do mestre de todas as urinas caninas. 

Eu juro que, se você visse ele na janela do carro, certamente também ia chegar a esta conclusão! O Sushi quer marcar o seu lugar no mundo em alta velocidade. Mas é justamente no meio desse caminho, enquanto o meu cão tenta devorar a paisagem com os olhos, que meus próprios olhos sempre travam em uma imagem de absoluta permanência. Seja de manhã ou à tarde, nunca à noite. Algo que me intriga quase sempre que vamos até o tal parquinho dos cachorros e está bem no meio do caminho. 

Seja de manhã ou à tarde, nunca a noite, sempre que passo em um trecho onde há um ponto de ônibus bem em frente a uma escola municipal, há um senhor serenamente sentado em um ponto de ônibus. Há algo muitíssimo peculiar naquele senhor. 

A cena sempre é intrigante, até porque se repete diariamente, especialmente pensando que eu tenho convicção de que ele pode nunca ter entrado em quaisquer dos ônibus que passam por ali, onde todos os outros cidadãos estão subindo ou descendo. 

Eu adoraria poder fazer um vídeo em timelapse, daqueles que a cena parece passar rapidamente, para poder mostrar a você o mundo rodando em torno do ponto de ônibus enquanto este senhor fica ali sentado por longas manhãs e tardes observando tudo e todos que passam. 

Preciso lhe pedir perdão, pois ainda não descrevi a figura do nosso senhor do ponto de forma palpável para você. Pense na figura indubitavelmente francesa alta e magra do General Charles de Gaulle com o seu narigão, embora o nosso personagem seja um pouco menor do que os um metro e noventa e seis do general francês. Agora, troque o quepe militar por um boné bem simples, troque o olhar altivo por um olhar cabisbaixo e perdido e, por fim, insira uma barba e um bigode ralos. Faltou dizer que ele, por vezes, veste camisetas de futebol conforme seus times ganham algum jogo importante. É importante dizer que ele anda de forma lenta e pausada. Sim, embora quase sempre eu o veja no ponto, poucas vezes eu o vi andando. Algumas vezes já o vi catando latinhas segurando um saco de lixo. 

O que pode ter ocorrido com este senhor? Seria ele um velho marinheiro aposentado por algum acidente que possa ter ocorrido em uma viagem a outro continente? Um ex-combatente de alguma guerra ou conflito armado que lhe deixou um tanto atônito com estresse pós-traumático eterno? Ou seria algo de infância, que ele traz até hoje em seu semblante e hábitos? Por que ele passa manhãs e tardes no ponto vendo o mundo passar em frente aos seus olhos atenciosos e curiosos? Ele fez a escolha da permanência, por vezes no ponto do lado da escola, outras no ponto que há no outro lado da mesma rua.

Por algumas vezes já o vi no mesmo ponto tomando uma latinha de cerveja. Seria para ele todo o cenário do ponto de ônibus e da rua uma televisão ou cinema com imagens realistas em diversas dimensões, Altura, largura, profundidade, tempo, sensações e interações? Seria ele um antropólogo amador da cidade que, enquanto todos se entretêm com suas telas de celular, ele está entretido com a vida de todos que por ali passam ou ficam pelo tempo da chegada do seu próximo ônibus. 

Agora só posso supor que eu posso ser um dos personagens que ele mapeou. Arrisco dizer que, para ele, sou o homem grisalho que passa com o cachorro na janela olhando para ele atentamente demais a partir de um carro vermelho, tal a minha curiosidade sobre ele. Neste ponto, já sou um dos registros dos cidadãos que passam por ali mais vezes na cabeça dele. Decidi agora mesmo a sempre que passar por lá comprimentá-lo com as mãos como se eu o conhecesse. Sempre gostei de fazer isso quando passo de carro por alguém em cidades do interior. Sinto uma sensação de pertencimento àquela paisagem e comunidade. Já fiz isso até mesmo com carro alugado em outros países de outros continentes. 

Sentado ali, ele pode se sentir parte do fluxo urbano. Talvez, quem sabe, ele tenha trabalhado a vida toda como um motorista ou cobrador do transporte público, ou simplesmente pegava ônibus naquele mesmo ponto há 40 anos para ir trabalhar todo santo dia. Estar ali é manter o cordão umbilical com a sua própria utilidade e juventude, da época em que ele se sentia útil e produtivo. O ônibus passa, o motorista muda, os passageiros envelhecem, mas ele permanece ali como um marco atemporal, uma estátua viva da memória do bairro. 

Fico pensando em um possível mapeamento que ele faz das pessoas que vê passando ou utilizando o ponto de ônibus. Teria ele mapeado quem está por ali em cada dia da semana? Quem está indo a uma entrevista de emprego, quem volta cedo do trabalho pois tem uma rotina diferente. Pensaria ele sozinho “Olha! Lá vem aquela moça das quartes-feiras com aquele perfume esquisito!” ou, “Acho que trocaram o motorista do ônibus de sexta-feira da linha Córrego Grande 164. Será que ele ficou doente?” ou “Eita! Lá vem aquela senhora que insiste em puxar conversa comigo depois que volta da feira na quarta!” ou “Tocou o sinal de saída da escola! Acho que vou embora pra não ter que escutar as baboseiras daqueles meninos que só querem saber de futebol!” ou “Nos últimos anos só vejo aquele idoso andando sozinho. Será que a esposa dele faleceu?”. 

Me intriga sobremaneira a história deste de Gaulle entristecido que vê o mundo a partir de um ponto de ônibus. O que o faz sair de casa para usar o ponto como uma arquibancada para ver o mundo? Teria ele alguma condição cognitiva especial que o limita ou trata-se apenas de uma escolha de vida? Essa última hipótese acho muito pouco provável!

Talvez uma frustração amorosa ou alguma desilusão com um filho ou filha o tenha jogado em depressão tal que a vida possa ter se resumido a algo muito menor do que ele possa imaginar e usufruir, o que seria um dos cenários mais tristes para o nosso personagem da vida real. Qual foi a II Guerra Mundial que o nosso de Gaulle enfrentou?

Conheço muitas pessoas que passaram por algumas das coisas que citei antes e que não conseguiram lidar com as provas que o mundo lhes trouxe. Algumas se jogaram no álcool, no uso abusivo de drogas, nas duas coisas ou muito pior. Muitos moradores de rua possuem histórias como estas, com problemas na vida familiar ou amorosa que não conseguiram suportar. Para muitos, isso é uma ruptura tão grande que a vida parece não ter mais sentido. Alguns, infelizmente desistem tanto da vida que decidem finalizar com a própria existência ali mesmo. Pra mim, isso acaba por ser uma desonra sem tamanho para com todos os seus ancestrais que vieram antes e que por muitos milênios suportaram coisas parecidas e certamente até muito piores.

Mas para a nossa felicidade o nosso de Gaulle está lá, sentado no ponto, vendo tudo passar. O ônibus chega, deixa algumas pessoas e leva outras, os estudantes do colégio logo atrás do ponto passam indo ou vindo de casa. Os carros, as motos, as bicicletas passam e lá está ele. 

Ele não espera um ônibus específico, ele espera o tempo passar, ou talvez espere que algo inesperado aconteça. Aposto muito nessa expectativa que ele possa ter! Algo que possa mudar completamente o seu dia monótono. 

Penso também que estar no ponto de ônibus dá a ele uma justificativa social: quem está ali parece estar indo a algum lugar então, ninguém o questiona ou pode sentir pena dele. Estar no ponto o protege do rótulo de "abandonado" ou sem utilidade. Isso me lembra um outro senhor do mesmo bairro que, mesmo sendo aposentado há muitos anos, sempre anda pelo bairro com uma bolsa de notebook que parece estar abarrotada de folhas. Talvez se arrumar e ir sentar no ponto todo dia faça com que ele pareça um homem de negócios cujo transporte apenas atrasou um pouco — digamos, alguns anos.

Parando para pensar melhor vejo que o mundo moderno é obcecado por produtividade, velocidade e eficiência objetiva. Mas o que acontece quando alguém decide, deliberadamente, parar e observar? Sentar-se ali pode ser um ato de rebeldia zen! 

Ele se recusa a correr, a ter algum objetivo produtivo. Ele vê o executivo estressado, a moça correndo atrás do coletivo que talvez perca, o trânsito caótico, e sorri. Espera! Acho que ele não sorri muito não! Pelo menos posso dizer que em todas as vezes que o vi, nunca o vi dando o mínimo ar de poder sorrir. Parece ser alguém que não lembra quando sorriu da última vez. Espero estar errado, inclusive! 

Quem sabe ele já correu tudo o que tinha para correr e descobriu que o destino final é o mesmo para todos. Ele alcançou a paz de quem não deve nada ao relógio. Será!?

Quem está preso de verdade? Ele, que está livre e sentado vendo a brisa, ou as pessoas presas dentro das "latas de sardinha" motorizadas correndo para bater ponto, para levar alguém em algum lugar, para ir ao mercado, academia e tudo mais?

Embora não tenha compromisso algum com outras pessoas em determinada hora ele bate também o seu “ponto no ponto”, assume seu posto com a solenidade de um general francês inspecionando suas tropas — que, no caso, são apenas estudantes sonolentos, trabalhadores tentando equilibrar o guarda-chuva e o café, motoristas concentrados ouvindo rádio ou discutindo com outra pessoa no veículo, outros idosos indo visitar os netos e tudo mais que todas as outras pessoas fazem, exceto o nosso Senhor do Ponto. 

Qual a sua hipótese sobre a história dele?



Notas:

  1. O Senhor do Ponto realmente está lá todos os dias nos mesmos pontos de ônibus e, caso você passe pelo bairro Córrego Grande em Florianópolis/SC, Brasil, você pode vè-lo observar o mundo;

  2. A ilustração utilizada foi criada por mim com a Inteligência Artificial Gemini, do Google, a partir de descrições que fiz do cenário e personagens retratados neste texto. 

30 de dez. de 2021

Como o Bonsai me ensinou a viver e empreender

 

Quando Noriyuki "Pat" Morita, o ator que interpretou o Senhor Miyagi apareceu no filme de 1984 “Karatê Kid” ensinando seu pupilo, Daniel San, a podar uma pequena árvore em plena tela de cinema, minha cabeça pirou com a possibilidade de cultivar uma árvore em miniatura tal e qual ela existe na natureza. Até hoje muitos bonsaistas ocidentais afirmam que o primeiro contato com a arte do bonsai se deu por conta do filme. 


Daniel San aprendendo com o Senhor Miyagi
Daniel San aprendendo com o Senhor Miyagi

Não bastasse todo o enredo do filme que envolveu e envolve até hoje a cabeça de qualquer criança ou adolescente, é inesquecível a figura de Miyagi podando seu bonsai e ensinando o menino a imaginar a árvore dos sonhos e depois podar o pequeno bonsai para formatar conforme sua imaginação.

Naquele longínquo ano de 1984 a única coisa próxima a um bonsai que eu consegui ter foi uma pequena muda de uma araucária plantada com a semente do pinhão e cultivada por alguns meses até minha cabeça de criança de 8 anos se ater a algo mais divertido para alguém daquela idade. Não tenho certeza, mas provavelmente num raio de centenas de quilômetros não havia ninguém que praticava a arte. Ou se existia, eu nunca saberia. É preciso lembrar que todo o conhecimento sobre qualquer tema que seja antes do advento da Internet só era possível com a procura de revistas e livros. Pior ainda para um tema restrito como este não era nada comum em uma cidade do ocidente, no interior do sul do Brasil.

Muito menos na adolescência eu acabaria por voltar a pensar em bonsai, sobretudo por conta da época que estava vivendo com transformações pessoais, inseguranças normais a esta fase e inúmeros problemas familiares, sem contar logo depois a mudança para a capital do estado para cursar o ensino superior. Foram tantas as mudanças de morada, opções e empreitadas profissionais e de vivência que nada disso certamente combina com o cultivo de apenas um bonsai que seja.

Mas em 2005, em visita a uma floricultura em busca de um simples tempero, a imagem da semente plantada em 1984 germinou. Comprei uma pequena planta vivendo em um vasinho de cerâmica esmaltada azul: uma jabuticabeira que tenho até hoje. Neste dia também iniciei um costume que tenho até hoje de nomear meus bonsai. A este, chamei de Hiroyto (Shōwa) o 124º imperador do Japão, morto em 1989.

Imperador Hirohito na década de 1980 | Agência da Casa Imperial

Imperador Hirohito na década de 1980 | Agência da Casa Imperial

Por anos cultivei apenas este bonsai. Coitado dele, inclusive! Por ter apenas uma planta, que hoje sei ser um pré-bonsai, acabei por cometer erros de cultivo, incluindo podas errôneas, além do excesso ou falta de irrigação. Quase matei o pobre Hiroyto! Por sorte, ele é resistente ao ponto de se manter em pé para testemunhar a chegada de outras espécies que tenho hoje.

Foi apenas em 2017 que o interesse pelo bonsai se expandiu em mim. Ao ter acesso de forma despretensiosa a um vídeo no YouTube sobre o cultivo de um bonsai, naquele momento pensei “mas como eu nunca tinha procurado conhecimento na Internet para aprimorar a técnica!?”

Tal qual o que ocorre com a florada de algumas espécies que demoram diversos anos para desenvolver suas flores ou sementes, eis que finalmente o mundo do bonsai voltou para que eu pudesse desenvolver inúmeros aspectos da minha personalidade, capacidade e relação com a natureza. A partir deste momento, passei a buscar o conhecimento sobre tudo o que envolve o mundo do bonsai, o cultivo de cada espécie e suas particularidades. Sim, nem todo bonsai se cultiva da mesma forma e esta é uma das lições mais importantes da arte.

Depois de inúmeras espécies e conhecimentos adquiridos, aos poucos fui percebendo o quanto a arte do bonsai pode nos dar muito além de apenas lindas plantas para ornamentar nossas casas e jardins, dando-nos lições para a vida e nossa curta existência por aqui.

Esta perspectiva sobre o mundo foi ampliada em mim desde que fomos atingidos pela pandemia do novo Coronavírus que assolou todo o mundo, pois a minha relação com os bonsai (não se usa s para o plural) se tornou mais próxima visto que ficamos todos mais em casa, no compulsório home-office.

Tudo o que direi na sequência talvez seja “chover no molhado” para quem já cultiva bonsai. Entretanto, achei interessante registrar esta percepção da arte para ilustrar minha experiência que certamente coincide com o cultivo de diversos outros tipos de plantas, outros hobbies, esportes e atividades que nos ensinam muito e nos ajudam a viver melhor.

O que o bonsai me ensinou para a vida e para empreender?
Vamos por partes...



Busca por conhecimento


Como já citei antes, sem o conhecimento adquirido sobre a arte do bonsai minhas plantas não teriam o desenvolvimento e qualidade que tem hoje. Foi apenas com a busca pelo conhecimento que pude obter o resultado que tenho hoje, sendo infinita a busca por novos conhecimentos para aprimorar a técnica.

O mesmo se dá na vida e na gestão de uma empresa ou projeto. Se você não busca novos conhecimentos que turbinam os resultados, terá um resultado medíocre.

Diferente do acesso restrito em publicações impressas, livros e revistas, hoje temos acesso irrestrito a diversas ferramentas e canais digitais para acessar tudo que seja necessário. O desafio hoje é separar o que vale a pena e o que é superficial ou até equivocado.

Antes de qualquer troca de vaso, substrato (material que é colocado nos vasos), podas ou outras intervenções, procuramos informação sobre cada espécie (planta), região que vivemos, estações do ano, recursos, irrigação e uma série de dados importantes para se chegar ao objetivo final desejado. 

 

Paciência

Na arte do bonsai a paciência é oxigênio. Praticamente nenhuma ação mais importante se dá sem paciência. Algo que é feito em determinado momento pode estar em busca de um resultado em alguns meses, talvez poucos ou até mesmo diversos anos.

Sem paciência não se chega aos resultados. Assim como na gestão de uma empresa, um projeto específico só pode obter bons resultados se a busca por conhecimento deixar a semente germinar até que, no momento certo, possa crescer e gerar os resultados tão aguardados.

Em tempo, é importante mencionar que o bonsai mais antigo que se tem notícia possui por mais de 1000 anos. Presente no Museu Italiano de Bonsai, em Crespi, Itália (Sim, ele não está no oriente!).


Bonsai de Ficus mais antigo do mundo, com mais de 1000 anos.   Imagem cedida também pelo Crespi ao site Bonsai Empire

Bonsai de Ficus mais antigo do mundo, com mais de 1000 anos. Imagem cedida também pelo Crespi ao site Bonsai Empire. 


Confesso que ainda não obtive a informação de como este bonsai chegou na Itália, mas só nos resta imaginar a saga que pode ter ocorrido para que isso possa ter acontecido nos últimos mil anos desde que a semente ou estaca deste ficus germinasse até o nosso presente.

Quantas gerações cuidaram deste espécime tão antigo? Se contarmos que em média cada pessoa que ajudou no cultivo tivesse vivido em torno de 60 anos considerando que a expectativa de vida era muito menor nos séculos passados, teríamos quase 17 gerações cultivando esta árvore que você pode admirar na foto acima.

Enquanto os vikings estavam rumando para a Groenlândia e América do Norte e ainda faltava em torno de 500 anos para a chegada de espanhóis, italianos e portugueses na América Central, alguém já estava iniciando o cultivo do bonsai de ficus de Crespi. Incrível!


Cuidado com o nebari (raízes)

Já nos primeiros materiais que temos acesso da arte do bonsai, descobrimos diversos termos que nunca tínhamos visto, quase sempre orientais e sobretudo japoneses. Embora o bonsai tenha surgido na China, foi no Japão que a arte foi refinada e acabou por ser disseminada em todo o mundo.

Um dos primeiros termos que temos acesso é o que dá nome às raízes: nebari. Entende-se como uma árvore no vaso (bon=árvore. sai=vaso. Plantado em uma bandeja.) bem cultivada aquela que demonstra uma árvore em seu estado natural com aspecto mais antigo possível e que apresenta uma raíz forte e bem desenhada. Existe toda uma gama de técnicas para se podar, incentivar o desenvolvimento e formação das raízes para que possam apresentar um estilo e demonstrar um visual envelhecido.


Imagem mostrando o nebari de um bonsai. Extraída do vídeo do ABC do Bonsai

Imagem mostrando o nebari de um bonsai. Extraída do vídeo do ABC do Bonsai

Longe do aspecto puramente biológico, precisamos lembrar que são as raízes que darão os nutrientes necessários à planta. Com uma analogia com a nossa vida, familiar, pessoal e profissional, precisamos lembrar que é imprescindível que demos atenção ao cultivo de nossas raízes.

Seja na arte do bonsai ou em nossas vidas, querendo nós ou não, são as raízes que nos darão os primeiros alimentos, influências, conhecimentos, lembranças e até mesmo exemplos (bons ou maus).

Nunca nos esqueçamos das raízes! São elas que sustentam nossa árvore.

 

Relação com o tempo (impermanência)

Quando somos crianças temos a percepção de que viveremos para sempre, envoltos no aconchego do lar, da família, dos amigos e da terna infância tão doce para a maioria. Claro que sei que nem todos têm este privilégio e temos muitas crianças vivendo em território de pobreza e guerra, sem estas sensações da infância tão importantes mas, em geral, todos temos esta percepção de que aquele estado é para sempre.

Com o passar do tempo cada vez mais somos confrontados com a realidade pois nossos entes queridos e amigos que nasceram muito antes de nós acabam por falecer. Outros, mesmo novos, têm suas vidas ceifadas por acidentes e doenças.


Imagem extraída do site Eu sem Fronteiras

Imagem extraída do site Eu sem Fronteiras
 

Meu falecido pai dizia que “o tempo é inexorável”. Nada, pelo menos por enquanto, pode ser feito para amenizar a passagem do tempo. Com isso, desde que perdi meus entes mais queridos, sobretudo meu pai, sou lembrado da nossa impermanência por aqui. No cultivo dos bonsai isso está presente a todo momento, desde sementes que não germinam, estacas ou alporquias que não vingam, até lindas plantas que por algum descuido pequeno ou grande intervenção acabam por sucumbir.

Nós todos estamos aqui, mas uma hora ou outra certamente não estaremos mais.

Na gestão de uma empresa, embora busquemos sempre a permanência, seja de membros da equipe, clientes, fornecedores e sobretudo de nós mesmos, precisamos lembrar que nem mesmo isso é definitivo. A princípio, nada é fixo ou imutável.



Relação com os ciclos da natureza

A todo momento, seja no bonsai ou no cultivo de qualquer vegetal, a percepção das variações trazidas com os ciclos da natureza são essenciais para que possamos nos adaptar da melhor forma.

Neste caso, não é apenas importante ficarmos atentos aos ciclos mais aparentes como os ciclos das estações do ano, provocados pela oscilação do eixo do nosso planeta em relação à estrela que todos nós orbitamos, o Sol. É importante que tenhamos percepção quanto às temporadas de permanência ou ausência de chuvas, umidade e pragas.

Em muitas espécies e espécimes de bonsai basta a ausência de um único dia de irrigação para que a planta morra. Nossa ligação com o mundo que nos cerca sempre nos dará chances maiores de adaptação e reação ao que nos ocorre, seja na vida pessoal, profissional, como também no cultivo de todo tipo de plantas.


Também temos ciclos em nossas relações profissionais que devem provocar ações profiláticas ou reativas, como é o caso de sazonalidades comerciais (baixa ou alta de ofertas e/ou demanda), acontecimentos maiores como no caso de epidemias ou até pandemias e tantas outras.

É vital antecipar o planejamento para a vivência em cada ciclo, seja no aumento de irrigação nos bonsai em um período de forte calor, no estoque de alimentos em casa caso seja necessário e inclusive em uma empresa com uma série de recursos humanos, físicos e estatísticos necessários à manutenção do empreendimento.

Relação com a natureza para saúde mental

Posso estar redondamente enganado, mas tenho percebido cada vez mais que muitas das pessoas que se dizem tristes, depressivas, amarguradas e desesperançosas tem uma pequena ou ausente relação com elementos da natureza. Algumas destas pessoas sentem inclusive uma aversão à vivência dos elementos e ciclos que conhecemos da flora e fauna do nosso planeta.

Envoltos na solidificação dos cristais de pozolana, mais conhecidos como concreto, não cultivam sua relação com a natureza, que tem tanto a nos ensinar e, sobretudo, fazer-nos relembrar quem seríamos se não tivéssemos nos distraído no meio do caminho.

É praticamente unânime o uso da expressão “o tempo passa rápido”, usada em diversos momentos, quase sempre na presença de fotografias antigas ou de filhos, netos e sobrinhos que crescem rápido. Pra mim, tão mal aplicado é esta expressão que me causa até mesmo espanto. Tal e qual o termo orgânico utilizado para se referir aos alimentos que não tiveram agrotóxicos ou transgênicos em seu cultivo (nossa! que bom que a comida não é mineral!).

Ora, dentro do mesmo planeta não há como o tempo passar mais ou menos rápido. Não é o tempo que passa rápido. Somos nós que investimos o nosso precioso tempo em atividades que nos distraem do que realmente gostaríamos de presenciar e ver crescer. O tempo, este nosso amigo, muitas vezes inimigo, faz com que todos nós descemos esta correnteza juntos. Não há como subir a correnteza ou nadar a favor para ir mais rápido. O que podemos fazer é estarmos atentos ao que ocorre enquanto deslizamos rio abaixo, prestando atenção ao que realmente consideramos importante.

Pela necessária forte ligação com os ciclos naturais, o cultivo do bonsai nos força a relembrar todos os dias da importância de acompanhar o crescer de cada espécime, seja uma pequena semente, uma muda pequena, um pré-bonsai e até mesmo um velho bonsai com aspecto de árvore antiga.

Para aqueles que têm prazer na relação com a natureza e podem dedicar alguns poucos momentos do dia para um hobbie, recomendo fortemente o cultivo do bonsai inclusive para uma boa saúde mental. A vivência com uma planta que pode durar décadas, séculos e até milênios como no ficus de mil anos, pode nos trazer uma percepção diferente da nossa vida.

Naturalmente é importante dizer que nenhum hobbie substitui tratamentos terapêuticos, psicológicos ou médicos, quando estes são realmente necessários. Felizmente ainda não precisei recorrer à psicoterapia, mas recomendo que pensemos na jardinagem e outras formas de cultivo da flora como atividades terapêuticas complementares.



Técnica

Desde que vi Karatê Kid numa velha TV de tubo na década de 1980 até os anos 2000 muita coisa mudou em mim, no mundo e em toda a tecnologia que nos cerca. Estudando e trabalhando com projetos digitais desde o começo da internet, em meados de 1995, quando ainda usava os velhos computadores com telas pretas e cursores verdes do terceiro andar do prédio da Engenharia Elétrica na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o acesso à qualquer tipo de informação publicada e intercambiada por milhares de pessoas do mundo todo fez com que a tão aclamada globalização não tivesse impacto apenas no mercado de consumo, mas em todo tipo de atividade. No bonsai não foi diferente, pois em muitos sertões de países onde livros e revistas não chegavam, foi possível que tivéssemos acesso à informações antes restritas a poucos amantes da arte.

Foi só por volta de 2016, mesmo ainda cultivando um único bonsai de jabuticabeira que tinha, o Hiroyto, percebi que poderia me dedicar mais à arte. 

 

Com muita técnica, o mestre Renato Hoening, de Curitiba, conseguiu o que muitos ainda estão tentando: um bonsai de araucária. Foto: Letícia Akemi

Com muita técnica, o mestre Renato Hoening, de Curitiba, conseguiu o que muitos ainda estão tentando: um bonsai de araucária. Foto: Letícia Akemi

Após muita informação captada por diversos artigos escritos, entrevistas, fotografias e principalmente vídeos de bonsaistas brasileiros e de diversas partes do mundo, pude aprender muitas técnicas sobre cultivo, da formulação do substrato (material dos vasos), espécies e espécimes, poda, irrigação, insolação, transplante (retirada da planta do vaso com troca de substrato, quase sempre com poda das raízes), adubação, estilos e muitas outros fatores que compreendem o cultivo. 

Diversos canais do YouTube trouxeram a primeira colaboração inicial que eu precisava para obter diversas lições sobre o cultivo de bonsai. Citarei alguns: ABC do Bonsai, Bonsai Online, Carlos Tramujas, Angelo Coffy, Bom Cultivo Bonsai e tantos outros.

Desde 2019, também fiz dois cursos com o mestre Odilon Faccio, que cultiva bonsai há mais tempo do que tenho de idade e com quem tenho muita honra de me comunicar e encontrar presencialmente. Uma honra ter recebido de presente dele alguns dos espécimes que tenho que mais gosto (cereja silvestre, brinco de índio, ficus green island e pingo-de-ouro), além de tê-lo presenteado com uma promissora alporquia de bougainvillea (primavera ou bougainville).

Desde que me dediquei a estudar a arte do bonsai com mais afinco, vejo claramente a mudança nos espécimes que possuo, seja pela beleza como pelo aspecto mais próximo ao que se busca em um bonsai, quase sempre uma árvore miniaturizada com aspecto envelhecido.

A busca por conhecimento e a mudança que o conhecimento alcançado trouxe, somado à aplicação deste conhecimento, trouxe profundas modificações positivas para os resultados alcançados. Tal como neste exemplo quanto ao cultivo de bonsai é em nossas vidas.

Isso fica ainda mais claro quando entendemos a clareza das palavras de Derek Bok, ex-presidente da Universidade de Harvard. “Se você acha que investir em educação custa caro, experimente o custo da ignorância”.



Quanto mais nos aprimoramos em qualquer assunto que seja, melhor entendemos sobre o tema e mais eficientes somos no planejamento e execução de qual atividade seja.

Hoje, em um tempo imensamente mais curto consigo resultados melhores e mais elaborados para as plantas que me proponho a cultivar.

Avaliando o aprendizado e os resultados, bons e ruins, vejo que há ainda muito a evoluir e fico contente que o aprimoramento é incessante e ininterrupto.

Desfocar para focar depois

Já falei em saúde mental antes, mas volto a citar um tema deveras importante. Uma das lições que o bonsai me deu foi a possibilidade de poder simplesmente me desligar de tudo para o cultivo, seja para uma pequena poda, limpeza de um matinho que insiste em nascer nos vasos ou para um transplante ou intervenção mais demorada.

Ao esquecer de tudo e de todos, o bonsaista, assim como o esportista, o artista e outros praticantes de outras atividades, podem desconectar de seus problemas para de concentrar em algo que lhes dá prazer pleno e concentração, traz paz, conhecimento e muitas vezes reconhecimento próprio. E nisso, as pequenas conquistas são as mais importantes pois reforçam muitas vezes dias, semanas, meses ou até anos de dedicação para que se pudesse chegar a um resultado almejado.

A desconexão da realidade que estamos inseridos no dia a dia fustigante é fundamental para que possamos enfrentar nossas dificuldades com mais leveza, presteza e sabedoria.



Visão de longo prazo

Talvez esta realmente seja a maior lição do cultivo de bonsai. Além da dedicação diária na rega e outras interações mensais, bimestrais, semestrais, por estação ou anuais, há intervenções que são realizadas buscando um resultado que só aparecerá em anos de cultivo, dedicação e principalmente paciência.

Relembro o bonsai de ficus de Crespi, na Itália, que passou na mão de cerca de 17 gerações até o presente momento com seu ápice. Foram dez séculos de cuidados e zelo de muitas mãos para que possamos hoje vislumbrar esta maravilha da arte humana.

Em uma simples poda que aproveita a chegada da primavera para obter novos brotos e crescimento pleno requer planejamento de muita resiliência. Por vezes poda-se as raízes e principalmente a parte aérea da planta (galhos e folhas) dando a impressão de que a planta vai realmente falecer. E é o que ocorre quando o cultivador não tem o conhecimento suficiente para entender a espécie, o vaso, o substrato, a rega e a intervenção que praticou.


Methuselah (Matusalém), um pinheiro (Pinus longaeva) de 4.845 anos das White Mountains, na Califórnia. Foto: Rick Goldwaser / Wikimedia

 Methuselah (Matusalém), um pinheiro (Pinus longaeva) de 4.845 anos das White Mountains, na Califórnia. Foto: Rick Goldwaser / Wikimedia


A visão de longo prazo, seja no bonsai ou em nossas vidas, é vital para que miremos lá na frente, mesmo que para isso tenhamos que conviver com resultados pífios enquanto o futuro é construído.

Um galho podado hoje apresentando um aspecto fio e muitas vezes ridículo poderá se tornar a base para novos brotos com floração e/ou frutificação incríveis em meses ou anos depois.

Persistência e resiliência

Se o assunto é persistir e ter resiliência, é preciso dizer que assim como não há bonsaista que não tenha matado várias plantas, certamente não há pessoas de sucesso que não tenham afundado empreendimentos, projetos e amizades.

Quanto a isso, o ensinamento antigo fica valendo sempre: o que importa não é o que ocorre com você, mas o que você faz com o que ocorre com você. É da limonada que fazemos com os limões que recebemos que construímos uma base sólida ao ponto de ser mais forte para enfrentar as adversidades que sempre virão.

Eu mesmo já matei diversas espécimes que tive, assim como já praticamente fali uma empresa, assim como já saí de alguns relacionamentos, assim como já passei por alguns trabalhos e projetos. Péssimas experiências forjam a nossa visão de mundo para nos tornar mais propensos à solução de adversidades.



Adubação

É na adubação que aprendemos como é importante trazer novos nutrientes para o cultivo. Para plantas em vasos é vital que sejam incluídos no substrato ou pelas folhas nutrientes adicionais àqueles que já fazem parte do material que está presente no vaso. Sem a adubação não se tem o resultado que se espera, seja para o crescimento da planta como para a floração e/ou frutificação. O espaço de um vaso é por óbvio limitado. Portanto, os nutrientes devem ser inseridos no material que serve de base para a planta ou por vaporizador nas partes aéreas (folhas, galhos e troncos). Feito um bebê que não pode se alimentar porque não tem como buscar alimento, plantas em vasos precisam que o cultivador forneça o nutriente.

O mesmo acontece em nossas vidas. Quando não alimentamos nossos objetivos, metas e sonhos, não temos o resultado tão almejado. Se quero ter uma equipe para produzir algo que pode ser comercializado, preciso antes definir requisitos, buscar talentos e meios para poder ter a base necessária para a produção e posterior comercialização. O mesmo ocorre na nossa vida pessoal nas relações que temos com amigos e familiares. É importante incluir a iniciativa para “adubar” o relacionamento, os momentos e a memória em bons dias de convivência.

Regozijo (floração / frutificação) 

Com a dedicação e zelo de todo um período para cada espécie, projeto ou sonho, mantido o período de aprendizado, aperfeiçoamento, resiliência, no médio ou longo prazo os resultados aparecem. A floração e/ou a frutificação sempre aparecerão para aqueles que persistem e mantêm o foco, mesmo com diversas adversidades inerentes ao caminho.

Com o objetivo final alcançado podemos ter certeza de que tudo valeu a pena e que o percurso foi até muito mais importante do que o resultado final pois nos ensinou a percorrer este caminho e obter os melhores resultados a partir de experiências ruins.

Anos podem se passar até que uma planta possa por fim trazer a floração almejada como vista em espécimes já cultivadas.


Flores abundantes neste enorme Bonsai de Bougainvillea, por Lorna Toledo. Site Bonsai Impire

Flores abundantes neste enorme Bonsai de Bougainvillea, por Lorna Toledo. Site Bonsai Impire


A primeira fruta, a primeira flor que se vê em um pequeno galho fazem tudo valer a pena. A primeira venda de um produto ou serviço com o retorno positivo do cliente, fazem todo o esforço de uma equipe interna ter a melhor recompensa: o reconhecimento. O primeiro olhar do(a) parceiro(a) apaixonado(a), vale uma vida.  O primeiro sorriso do filho que ainda bebê emite um contentamento em ver o pai ou a mãe, não tem preço.



Bom cultivo, muita saúde e uma excelente vida para você e os seus!

 

NOTA 1:
Este artigo faz parte de uma coletânea de cartas que tenho escrito desde 2012 direcionadas para o meu trineto.

NOTA 2:
Abaixo, veja algumas imagens do meu primeiro e mais antigo bonsai que, embora não tenha formato de árvore antiga e um tronco robusto, me ensinou muitas lições sobre a arte.



Hirohito em 1º de dezembro de 2018, já com 16 anos de idade e muito pouca ténica aplicada além de adubação, irrigação e podas.

Hirohito em 1º de dezembro de 2018, já com 16 anos de idade e muito pouca ténica aplicada além de adubação, irrigação e podas. 


11 de agosto de 2019 sem formato algum, mas já um pouco maior.

11 de agosto de 2019 sem formato algum, mas já um pouco maior. 


28 de junho de 2020. Hirohito maior e com poda de formação.

28 de junho de 2020. Hirohito maior e com poda de formação. 


8 de dezembro 2021.  Grande, bem desenvolvido, mas ainda sem formação em seu vaso que o acompanhou por longos anos.

8 de dezembro 2021.  Grande, bem desenvolvido, mas ainda sem formação em seu vaso que o acompanhou por longos anos. 


8 de dezembro de 2021 depois do último transplante, método para troca de substrato que pode envolver troca de vaso no período de um, dois ou três anos. O vaso retangular de concreto foi o segundo vaso que fiz.

8 de dezembro de 2021 depois do último transplante, método para troca de substrato que pode envolver troca de vaso no período de um, dois ou três anos. O vaso retangular de concreto foi o segundo vaso que fiz. 


20 de set. de 2016

UFSC apresenta seu catálogo de arte com monumento de Vicenzo Berti

Hoje tive acesso ao Catálogo de Artes Públicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
O excelente catálogo apresenta entre suas 62 páginas as várias obras de arte em espaço público presentas na Universidade. Obras de Martinho e Rodrigo de Haro, Caio Borges, Laercio Luiz, José Luiz Kinceler, Elke Hering, Antonio Rosicki e outros artistas. 
Nas páginas 42 e 43 é apresentado o Monumento Brasil-Açores, relógio de Sol projetado por mim e por Eduardo de Souza. Construído em 2004, o monumento comemora os 256 anos da imigração açoriana para Santa Catarina. 

Confira o catálogo completo no link a seguir.