Monumento Relógio-de-Sol Açores-Brasil: arte, astronomia e memória cultural na UFSC

Inaugurado em 21 de dezembro de 2004, no campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no bairro Trindade em Florianópolis/SC/Brasil, o Monumento Açores-Brasil — amplamente conhecido como o Relógio de Sol da UFSC — é uma obra de arte pública que une astronomia, ciência e a preservação do patrimônio histórico-cultural. 

Relógio-de-Sol Açores-Brasil inaugurado em 2004

Relógio-de-Sol Açores-Brasil inaugurado em 2004

Inaugurado há mais de duas décadas, o monumento celebra a rica herança deixada pela imigração açoriana no litoral catarinense e no Sul do Brasil, iniciada entre 1748 e 1756 com a chegada de cerca de 4.500 povoadores açorianos.

Origem do Projeto e a Concepção Arquitetônica

A ideia inicial do monumento partiu do geógrafo Eduardo de Souza, que, em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na UFSC, concebeu o uso de um relógio de sol equatorial para homenagear os açorianos. A proposta conceitual inicial previa um bloco de concreto com cerca de 4,5 metros de altura, inclinado num ângulo de 27° em relação ao Equador Celeste, latitude aproximada da cidade de Florianópolis.

Croqui do Relógio-de-Sol Açores-Brasil da UFSC, feito pelo Arquiteto Vicenzo Berti
Croqui da face sul do Relógio-de-Sol Açores-Brasil da UFSC, feito pelo Arquiteto Vicenzo Berti


Croqui de situação do Relógio-de-Sol Açores-Brasil da UFSC, feito pelo Arquiteto Vicenzo Berti
Croqui de situação do Relógio-de-Sol Açores-Brasil da UFSC, feito pelo Arquiteto Vicenzo Berti

Para transformar conceitual e teoricamente em uma estrutura viável e esteticamente refinada, entrou em cena o arquiteto, designer e escritor Vicenzo Berti.


O papel do arquiteto Vicenzo Berti

Foto de Vicenzo Berti em 2026

Foto de Vicenzo Berti em 2026

Convidado na etapa de projeto e também execução, o arquiteto Vicenzo Berti elaborou o projeto arquitetônico definitivo, tendo auxílio de setores de arquitetura da universidade,  refinando o desenho, aperfeiçoando as proporções formais do monumento e viabilizando tecnicamente a sua construção. Foi através de sua visão espacial, senso estético e rigor técnico que a forma final do monumento ganhou vida, sintetizando em uma peça harmônica de aproximadamente 2,20 metros os diversos símbolos da cultura açoriana e as demandas astronômicas da obra.

O Núcleo de Estudos Açorianos (NEA/UFSC) encampou a proposta por seu grande valor didático para diversos cursos universitários e pelo seu significado histórico, integrando o projeto às celebrações dos 256 anos da chegada açoriana, aos 20 anos do NEA e aos 44 anos da UFSC. Todo o projeto foi liderado pelo historiador e então Coordenador do núcleo, Joi Cletison. 


Simbolismo, forma e cultura

O Monumento Relógio-de-Sol Açores-Brasil traduz a ligação intrínseca da humanidade com a orientação espacial, a astronomia e a codependência com a natureza — tradição que remonta a 3500 A.C. com os obeliscos egípcios e que reflete a trajetória de navegação e enraizamento dos imigrantes açorianos.

Imagem da peça principal do relógio-de-sol, a roda bolandeira. 

O desenho final consolida diversos elementos simbólicos e de intercâmbio étnico e cultural:

  • A roda bolandeira: a peça central do relógio possui um círculo com dentes quadrados inspirado na roda bolandeira — elemento fundamental da moagem por tração animal nos antigos engenhos de farinha do litoral catarinense e que também está presente no brasão de armas da UFSC (a marca da universidade).

  • Mapas da integração:

    • Face Sul do relógio-de-sol (marca as horas na primavera e no verão): traz o mapa gravado da Ilha de Santa Catarina;

    • Face norte do relógio-de-sol (marca as horas no outono e inverno): traz o mapa gravado do Arquipélago dos Açores (com destaque para as ilhas Terceira, Pico, São Jorge, Faial e Graciosa).


Face sul da roda bolandeira do Relógio-de-Sol onde é mostrado o mapa do Arquipélago dos Açores

Face sul da roda bolandeira do Relógio-de-Sol onde é mostrado o mapa do Arquipélago dos Açores

Face norte da roda bolandeira do Relógio-de-Sol onde é mostrado o mapa da Ilha de Santa Catarina (Florianópolis)

Face norte da roda bolandeira do Relógio-de-Sol onde é mostrado o mapa da Ilha de Santa Catarina (Florianópolis)



  • Base e orientação: o monumento é erguido sobre uma grande Rosa dos Ventos, orientando espacialmente o observador aos pontos cardeais (norte, sul, leste e oeste).

Imagem da obra quando a peça da roda bolandeira foi afixada sobre a estrutura principal que, por sua vez, está sobre a rosa-dos-ventos, que forma a base do relógio-de-sol

Imagem da obra quando a peça da roda bolandeira foi afixada sobre a estrutura principal que, por sua vez, está sobre a rosa-dos-ventos, que forma a base do relógio-de-sol




Abaixo, veja imagens da peça da roda bolandeira sendo esculpida em argila no canteiro de obras 

Imagem da peça da roda bolandeira sendo esculpida em argila no canteiro de obras

Imagem da peça da roda bolandeira sendo esculpida em argila no canteiro de obras

Imagem da peça da roda bolandeira sendo esculpida em argila no canteiro de obras

Imagem da peça da roda bolandeira sendo esculpida em argila no canteiro de obras




Funcionamento astronômico

Croqui lateral Relógio-de-Sol Açores-Brasil da UFSC, feito pelo Arquiteto Vicenzo Berti
Croqui lateral Relógio-de-Sol Açores-Brasil da UFSC, feito pelo Arquiteto Vicenzo Berti
O croqui mostra como funciona a marcação das horas e principalmente das estações nas faces sul e norte do relógio-de-sol.


Abaixo, veja imagens de etapas da obra e afixação das peças pré-moldadas no campus da UFSC

Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis

Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis

Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis

Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis

Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis

Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis

Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis

Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis


Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis

Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis

Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis

Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis

Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis

Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis

Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis

Imagens da obra e finalização do Relógio-de-Sol no Campus da UFSC em Florianópolis


Como um relógio de sol equatorial, a medição do tempo ocorre de forma natural, sem necessidade de qualquer movimentação de peças, energia elétrica ou tecnologias modernas:

  • Medição das horas: mede o tempo solar das 6h às 17h conforme a incidência dos raios de Sol;

  • Ponteiro de sombra (gnômon): uma haste central (gnômon) de metal projeta a sombra sobre o mostrador dividido;

  • Estações do ano: além das horas, este tipo de relógio-de-sol equatorial marca as transições das principais estações do ano (primavera-verão e outono-inverno);

  • Momento da inauguração: a solenidade de inauguração ocorreu exatamente às 10h do dia 21 de dezembro de 2004 para coincidir com o exato momento do Solstício de Verão no Hemisfério Sul — quando, 15 minutos antes, a Terra iniciava o movimento de retorno de sua inclinação rumo ao Equador.

Abaixo, veja algumas imagens da inauguração do monumento no campus da UFSC

Carlos Alberto Vieira e Edna Maria Esteves da Silva geógrafos do planetário da UFSC, Eduardo de Souza idealizador do projeto, o Coordenador do NEA e historiador Joi Cletion, construtor Claudio Gonçalves e o arquiteto do relógio-de-sol Vicenzo Berti

Carlos Alberto Vieira e Edna Maria Esteves da Silva geógrafos do planetário da UFSC, Eduardo de Souza idealizador do projeto, o Coordenador do NEA e historiador Joi Cletion, construtor Claudio Gonçalves e o arquiteto do relógio-de-sol Vicenzo Berti


Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

O ex-reitor da UFSC Caspar Erich Stemmer ao lado do historiador Nereu do Vale Pereira em frente ao monumento

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Eduardo de Souza idealizador do projeto

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Vicenzo Berti, responsável pelo desenho final e projeto arquitetônico

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Coordenador do NEA e historiador Joi Cletion


Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Lúcio Botelho, vice-reitor da UFSC naquele período.

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004

Imagens da inauguração do Relógio-de-Sol da UFSC em 21 de dezembro de 2004






Construção, financiamento e manutenção

Aspecto

Detalhes

Dimensões Finais

~2,85 metros de altura (ajustados a partir do projeto arquitetônico de Vicenzo Berti)

Método construtivo

Moldado em fôrma "negativa" de silicone e metal, com as rodas gravadas em argila e preenchidas com concreto.

Custeio

Obra orçada em cerca de R$ 50 mil (em valores de 2004), custeada pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores e com apoio da UFSC.

Autoria

Tanto o idealizador do projeto, o geógrafo Eduardo de Souza, quanto o arquiteto responsável pelo projeto e execução da obra, Vicenzo Berti, não receberam quaisquer honorários. 

Apoio executivo

Desde a idealização, passando pelo projeto, viabilização do financiamento e busca por financiamento, a participação do historiador e então Coordenador do Núcleo de Estudos Açorianos (NEA), Joi Cletison, foi crucial para a inauguração desta tão importante obra no campus da UFSC. 

Projeto-gêmeo

Planejava-se erguer um relógio idêntico no Arquipélago dos Açores para selar o intercâmbio, porém a versão europeia não foi executada devido aos custos elevados. (ainda não confirmado até o presente momento)

Revitalização (2018)

Em abril de 2018 (durante as comemorações dos 270 anos da chegada açoriana), o NEA e a SeCArte/UFSC realizaram uma restauração completa, incluindo remoção de vegetação da base, limpeza, recomposição de partes danificadas e pintura.



Ficha Técnica Resumida


Nome oficial

Monumento Açores–Brasil (Relógio de Sol da UFSC)

Inauguração

21 de dezembro de 2004, às 10h (Solstício de Verão no hemisfério sul)

Localização

Campus Universitário Reitor João David Ferreira Lima (Trindade) – UFSC
-27.6005 de latitude e -48.5196 de longitude
https://maps.app.goo.gl/wG6zGfV4P2UDQZpo8 

Conceito original

Eduardo de Souza (Geógrafo)

Projeto Arquitetônico e forma final

Arq. Vicenzo Berti

Promotores e Patrocinadores

NEA/UFSC, SeCArte/UFSC e Governo da Região Autónoma dos Açores



Mais informações e contatos:
- NEA/UFSC: https://nea.ufsc.br/homenagens-monumentos/monumento-relogio/ 

- Vicenzo Berti: https://vicenzoberti.com.br/


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