1 de mai de 2011

Brasão de armas do Século XXI - Marca Brasil do Lula e Dilma

Marca Brasil, alterada para marcar a gestão
da atual presidente Dilma Roussef
Soube a pouco que a Presidente Dilma alterou a marca Brasil, conhecida como Marca do Lula, com adaptações que seriam para registrar sua marca na gestão até 2014.

Já não bastava terem criado a tal marca brasil em 2004, que até apresenta conceitos interessantes multiraciais e outros de inclusão social, mas que novamente demarca uma gestão específica.


Marca Brasil original, criada em 2004 para representar as ações
do governo do Presidente Luiz Ignácio Lula da Silva.
Um brasão de armas moderno criado para registrar atos públicos
com incentivo a melhor publicidade de uma pessoa e seu grupo.

Bandeira brasileira, o único símbolo que deveria ter utilizado
para representar ações do Governo Federal em obras
públicas, eventos esportivos e principalmente placas
de inauguração de prédios e outras obras.

O mais curioso é que o Brasil já possui seu símbolo, conhecido mundialmente, criado pelo decreto n.° 4, de 19 de novembro de 1889 e certamente não precisa que a cada quatro anos sejam criadas novas formas de representar o que já possui representação.

Minha maior indignação é que no fundo, usar uma marca para representar uma gestão de governo é USO DE CAPITAL PÚBLICO PARA BENEFÍCIO PRIVADO! É incrível como ninguém se irrita com isso.
Eu pago IRPJ, IRPF, ISS, INSS, FGTS, CSLL, PIS, COFINS e o mais absurdo de todos, ISQN - Imposto Sobre Qualquer Natureza, e parte deste capital é investido na manutenção da imagem de um partido e seus representantes no poder executivo. Prefeituras, governos estaduais e principalmente as últimas gestões do governo federal (Lula e Dilma) tem feito isso exemplarmente.

Este recurso é usado também por inúmeras prefeituras de pequenas cidades, que tem placas de inauguração de prédios e praças com marcas eternamente marcadas por imagens que no fundo dizem: quem fez isso foi o prefeito Justo Veríssimo. NÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Não foi o prefeito quem fez a praça, mas sim a prefeitura.

Somos levados a crer que o prefeito, o governador, o deputado e o presidente são homens e mulheres bons, quase como reis e rainhas "do bem" que fizeram obras e ajudaram a nós e a nossas famílias. Dio mio! Eles são apenas nossos funcionários fazendo o trabalho de sempre no comando do executivo.

Exemplo de brasão medieval aplicado a uma moeda.
Exemplo da era em que pelo menos estava na cara que
vivíamos um mundo de governantes donos dos governos.
Hoje o uso de capital público para benefício pessoal é
mascarado e totalmente aceito por quase todos.
Carecemos a muito de um projeto de lei que impessa as gestões de governo, principalmente no executivo, a usar marcas específicas de suas gestões. Isso demanda um trabalho imenso de milhares de profissionais dos governos, gasta-se muito dinheiro em placas, outdoors e publicações que poderiam ser investidos em outras melhorias mais vitais e, por fim, simbolizam marcas que que lembram escudos monárquicos que estão longe das idéias de democracias do Século XXI.

Confesso que me impressiono como eles ainda não tiveram a cara de pau de inserir estas marcas pessoais em moedas de metal de papéis moeda. Não duvido que isso ainda ocorra!

Trabalho com design a mais de uma década e gerencio o Sistema de Identidade Visual da UFSC na Agência de Comunicação da universidade (Agecom). Desde 2004 tenho gasto pelo menos umas 50 horas do meu tempo no trabalho, inserindo, ajustando e retirando temporariamente no período eleitoral as marcas dos últimos governos federais. 

Que vivamos realidades mais contemporâneas nos próximos governos e não em um "museu de grandes novidades", como dira o Cazuza.