29 de nov de 2014

Breve história da Internet e da criação de sites em Florianópolis


A Internet existe há muito mais tempo do que a maioria das pessoas imagina. Foi no auge da Guerra Fria, década de 1960, na área militar nos Estados Unidos que ela surgiu. O objetivo era claro: o Tio Sam temia que os ataques russos nas suas bases militares pudessem tornar públicas informações muito sigilosas. Por isso, a intenção era de descentralizar esses dados e criar uma rede distribuída de informações.

Neste intuito foi criada a ARPA (Advanced Research Projects Agency), naturalmente ligada ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O governo provavelmente não fazia ideia de que para se proteger de um ataque que nunca ocorreu, ele deu início ao maior canal de comunicação e mídia do Século XX e XXI.

Somente na década de 1970 o uso da Internet começou a ser liberado para as universidades americanas, como a UCLA (Universidade da Califórnia), MIT (Instituto Tecnológico da Califórnia) e o Stanford (Stanford Research Institute). Nesta época, mesmo sendo incipiente, ela foi dividida em duas partes: MILNET para os militares e ARPANET para uso não militar.

Depois de muito uso acadêmico e militar, foi somente em 1992 que o cientista Tim Barners-Lee, do CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear) criou o termo WWW (World Wide Web), para fins financeiros e comerciais, tão conhecidos hoje em dia.

Com o acesso direto que temos hoje (2014), poucos param para perceber o tamanho do sucesso midiático e cultural, e as mudanças políticas e antropológicas que a Internet trouxe para todos nós.
No Brasil, entre 1987 e 1995, várias instituições de pesquisa brasileiras já estavam conectando suas redes com as instituições dos Estados Unidos e se interligando entre si pela RNP (Rede Nacional de Pesquisa).

Em Santa Catarina, a primeira instituição a ter a Internet como realidade foi a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), em Florianópolis.

Foi neste turbilhão de novidades dentro da UFSC que vários dos profissionais que trabalharam com a criação dos primeiros sites em Florianópolis e Santa Catarina vieram. Dentre eles estão eu, Vicenzo Berti, e meu sócio, Ricardo Ribeiro Assink.

Embora trabalhe com Internet e Design, minha formação é em Arquitetura e Urbanismo. Sendo estudante do CTC (Centro Tecnológico) da UFSC, lembro bem do meu primeiro contato com a Internet no antigo laboratório de computação do terceiro andar do prédio da Engenharia Elétrica. Era tão e simplesmente uma tela preta com o cursor verde, onde líamos os emails em um software do antigo DOS (Disk Operating System) chamado Telnet. Enviar e receber um email era um evento. Era como receber uma carta, só que de forma instantânea. Uau! Sim, muitas vezes me sentia como um matuto que tinha visto pela primeira vez um aparelho de televisão. Posso dizer sem dúvida alguma que fui um dos primeiros a ter e usar uma conta de email em Florianópolis.

Fazer e divulgar sites naquela época era até mais tranquilo do que hoje, afinal eram poucos profissionais, poucos nevegadores, um nicho de mercado gigantesco a ser explorado e só um dispositivo - o computador. Hoje, com televisores de 50 polegadas, monitores, telas de notebooks e netbooks, tablets e smartphones dos mais variados tamanhos, além da quantidade grande de navegadores e sistemas operacionais, o desafio é muito maior.

Diferente da realidade da década de 1990, quando muitas vezes lançávamos o primeiro site do estado em um determinado nicho de mercado, divulgar um site atualmente para que ele seja percebido pelo seu públicio em potencial é realmente mais difícil e requer investimento da parte do cliente. Não há como não recorrer a estratégias de marketing digital, seja em links patrocinados no Google Adwords, ou em campanhas de gestão de conteúdo e de anúncios no Facebook, entre outras. Em 1998, apenas cadastrávamos o site do cliente no Cadê (Deus o tenha!) e voilá! O site do cliente estava acessível para todos que procurassem pelo que ele oferecia.

Sobre a venda do serviço, a realidade era bem pior do que hoje. Embora a concorrência fosse muito menor, pois havia poucos profissionais trabalhando com isso, muitas vezes era necessário explicar para o cliente o que era a Internet e principalmente do que se tratava um site. Atualmente a Internet está na realidade da TV, que comenta a cada telejornal pelo menos um site para ser acessado para mais informações. Obrigado, TV!

No início, era comum a figura do “exército de um homem só”. O profissional, além de designer, era também desenvolvedor web e programador. Com o tempo, o mercado tratou de diferenciar as especializações e funções, separando as qualificações de cada área. Desta forma, o designer produz o projeto gráfico do site e o programador desenvolve ou apenas instala os códigos e sistemas no site. Outros profissionais felizmente também foram atraídos para o desenvolvimento da web, como publicitários, jornalistas, relações públicas e outros. Esta interdisciplinaridade trouxe para a Internet uma qualidade muito além do que era pensada na década de 1990.

E eis que vieram os dispositivos móveis, smartphones e tablets, que revolucionaram o desenvolvimento web. Hoje trabalhamos com sites responsivos que podem ser visualizados nesta miríade de opções de telas e dispositivos. O desafio aumentou, mas as possibilidades também aumentaram, seja para o desenvolvimento de soluções para os clientes, ou para projetos internos.
A realidade do mercado também mudou muito desde a década de 1990, quando praticamente todos aprederam a fazer sites e sistemas. Não havia formação específica na área, e as cadeiras nas universidades sobre o tema eram escassas, isso quando existiam. Hoje a qualificação e aprimoramento dos profissionais são vitais e é imprescindível para destacar o trabalho frente à grande quantidade de empresas e principalmente profissionais autônomos prestando este serviço.

Quanto ao contexto atual da cidade, Florianópolis está se transformando em pólo de tecnologia, com inúmeras empresas da área trabalhando para projetos, inclusive para outros países. Ou seja, temos um amplo mercado pela frente! Hoje, o setor de tecnologia, que também envolve o desenvolvimento de sites e sistemas web, é o maior pagador de impostos de Florianópolis, superando inclusive a indústria do turismo.

Vida longa e próspera para a Internet!
Caso esteja em busca de gente boa e qualificada para criar seu site ou sistema, fale com a nossa equipe e venha tomar um café conosco.


Vicenzo Berti - EquipeDigital.comVicenzo Berti é sócio da EquipeDigital.com e trabalha com internet desde o milênio passado. Já trabalhou com vários projetos digitais no Brasil, em Portugal, Canadá, outros estados brasileiros e principalmente em Florianópolis/SC, onde reside.

21 de nov de 2014

Evolução da fotografia na história

Evolução dos equipamentos e posições do fotógrafo na história (130 anos).

Penso nesta ilustração há anos. Finalmente está na mão.

#fotografia #photography #historia #history #analagico #digital

19 de out de 2014

Aécio e PSDB poderão provar ao Brasil que deveríamos optar pelo PT em 2014

Embora não seja historiador, sou um entusiasta de análises de fatos de eras históricas para que possamos entender melhor a realidade do universo mais próximo de nossa atualidade.

Aécio Neves e Dilma Roussef no Senado Federal. Foto: FolhaPress
Na década de 1980, em pleno movimento pelas Diretas Já, presenciei este grande momento como uma criança ávida por entender a realidade que me rodeava.  Muito influenciado por meu pai, que participou deste movimento em minha cidade natal, Araranguá/SC, eu tentava entender o que se passara antes de eu nascer e o que estava ocorrendo em frente aos meus olhos neste movimento democrático que devolveu à sociedade civil as rédeas da nação.

Foi uma época muito interessante para uma criança que crescia e buscava instintivamente sua identidade num mundo em grande transformação. Diretas Já no Brasil, queda do muro de Berlim na Alemanha, Guerra das Malvinas na Argentina, fim da Guerra Fria entre EUA e a ainda existente URSS, Perestroika e Glasnost na URSS, Constituinte de 1988 no Brasil, e outras grande s mudanças ocorriam neste momento da história fascinavam e traziam muitas esperanças de dias melhores a todo o mundo.

Com as mudanças políticas na volta da democracia no Brasil, finalmente em 1989 ocorreram as tão sonhadas eleições diretas, em que os cidadãos poderiam finalmente escolher seus representantes. Nesta eleição, lembro bem da disputa entre Lula (Luiz Inácio da Silva) e Fernando Collor de Melo, em que eu defendia aguerridamente Lula e pensava que finalmente alguém ia dar um jeito nos males do Brasil. E eis que o povo escolheu no país todo representantes que vinham dos movimentos democráticos. Quase todos remanescentes do antigo MDB (Movimento Democrático Brasileiro) que havia se transformado em partido passando a ser conhecido como PMDB.

Não demorou muito para que os novos representantes, travestidos de democratas, aos poucos fizessem aquilo que sempre condenavam e iniciassem um processo de nepotismo, enriquecimento ilícito, corrupção e diversas outras ações que iam contra todos os princípios que levaram estes políticos aos governos federais, estaduais e principalmente municipais. Nesta época, infelizmente, também fui testemunha da decepção que meu pai teve ao ver isso ocorrendo nas mãos de representantes que ele mesmo batalhou para serem eleitos. Muitas das coisas que os movimentos democráticos condenavam nos mandatários escolhidos pelo Regime Militar (1964 e 1986) eles repetiram em larga escala em todo o Brasil. Mas, é importante ressaltar que, embora tenham trabalhado contra a população e os interesses que defendiam, fizeram um ótimo favor à democracia brasileira e não estou me referindo a retirada dos militares do poder. Eles provaram para a recente história do Brasil que não basta um partido de esquerda tomar o poder para que resolvamos todos os males de desenvolvimento que temos.

Acelerando um pouco no tempo e passando pela estabilização da economia ocorrida nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, vimos finalmente o então remanescente dos movimentos trabalhistas do ABC paulista chegar ao cargo máximo do executivo. Lula chega à presidência em 2002 com muita esperança da sociedade, inclusive eu. Foi realmente emocionante assistir esta nova onda democrática de mudanças no Brasil, quando muitos tinham a certeza de que teríamos enormes avanços em áreas que antes não tinham sido assistidas. Entre Lula e Dilma (2002 - 2014), se passaram quase 12 anos na presidência, com amplo apoio de diversos movimentos sociais, com reconhecimento no Brasil e no exterior. Mas durante este tempo, também foram numerosos os casos de corrupção, enriquecimento ilícito, aparelhamento da máquina estatal em benefício dos membros do PT (Partido dos Trabalhadores) e do próprio partido. O caso mais conhecido foi o Mensalão, em que vários membros do congresso recebiam valores mensais para aprovar projetos seja no Congresso Nacional como no Senado. Em muitos casos, várias campanhas no executivo ou legislativo e até mesmos a presidência foram financiadas com capital oriundo de corrupção e outras formas de captação de recursos que viraram regra nos governos do PT. Fala-se até que em várias instâncias do governo, membros do partido que ocupam cargos de confiança são obrigados a doar ao partido uma percentagem de seu salário como uma espécie de dízimo político para manter o projeto de poder em longo prazo para as eleições que virão. Existem denúncias também contra gestões de outros partidos, inclusive do PSDB e seus aliados.

Em 2014, assistimos uma guerra política muito estranha, onde em ambos os lados temos remanescentes dos movimentos democráticos que retomaram o poder das mãos do militares.  De um lado temos os defensores do PT e de seus avanços na área social e de outros temos os simpatizantes do PSDB que também representam uma grande parte da população que defende um sentimento “anti-PT”, que é contra todos os casos de corrupção na esfera federal. Em ambos os lados, percebe-se que “é o roto falando do rasgado”, pois ambos os lados tem casos de nepotismo, corrupção e enriquecimento ilícito. Comparo a disputa neste ano de 2014 a uma febre, onde o organismo nação brasileira está tentando se curar para melhorar a situação geral. Mas a situação é esquisita, pois de um lado estão simpatizantes do PSDB que defendem Aécio Neves e são rotulados por não fazerem parte da camada mais necessitada da população, chamados de “coxinhas” pelos simpatizantes do PT. Já os simpatizantes do PSDB por sua vez rotulam os petistas de PTralhas, em citação aos irmãos metralhas das histórias em quadrinho e desenhos animados de Wall Disney. A situação muitas vezes beira a loucura religiosa e dogmática do oriente médio, pois muitos esquecem que são amigos e esquecem que a eleição passa e muitas vezes a situação se inverte, seja no âmbito pessoal como no nacional. Quem afinal de contas imaginaria o Partido dos Trabalhadores sendo apoiado e apoiando Fernando Collor de Melo, Paulo Maluf, Renan Calheiros e outros que sempre condenaram e que condenaram este partido. É a eleição mais esquizofrênica que o brasileiro já pode ver neste período curto de democracia brasileira (menos de três décadas).

A este ponto você deve estar se perguntando “em quem este cara vai votar”? Confesso-te que é a primeira eleição que não tenho um candidato convicto a presidência. Afinal em ambos os lados temos representantes de governos anteriores que trouxeram muitos avanços à nação e aos brasileiros. Seja com o PSDB e a inegável estabilização na economia ou com o PT e a criação de inúmeras universidades e os avanços no âmbito social, há inúmeros motivos pra votar em qualquer uma das duas opções. Não citarei defeitos, pois as redes sociais já estão repletas de defensores que mais atacam do que mostram avanços.

Fazendo uma análise com distanciamento histórico, penso que temos aí 25 anos desde a primeira eleição depois do regime militar, sendo que nos últimos 12 anos o PT esteve a frente do executivo. Eu, como muitos outros brasileiros que votaram em Lula nas eleições de 2002 e 2006, estou desapontado com o PT e opto em 2014 por Aécio neves. Entretanto, não voto com convicção, pois acredito que merecíamos duas opções e dois partidos muito melhores para o nosso país. Mas, é o que temos para o jantar. Além disso, é a nossa realidade nos possibilita até agora, afinal temos uma democracia embrionária, carente de maturação e amplas melhorias.

Por que voto Aécio? Porque quero ter certeza de que entre as duas opções que temos, a melhor opção seria ao final Dilma Roussef e o PT. Você deve estar pensando quão maluco sou eu. Não faz sentido pra você?

Ambos os partidos e representantes tem vários defeitos, mas eu quero pagar pra ver o PSDB e Aécio Neves nos mostrar que podemos (nós como nação) fazer melhor do que o PT e Dilma Roussef fez, sem falar nas gestões de Lula e inclusive Fernando Henrique Cardoso.

Caso Aécio ganhe este eleição, serão os mais longos e tenebrosos anos que o PSDB e seus membros viverão a frente da nação, pois terão que provar a todos nós que podem oferecer uma melhor forma de governar o Brasil. Dilma Roussef estava certa quando afirmou num dos últimos debates que nestas eleições se confrontam duas visões de Brasil. Isso é muito bom para a efervescência da democracia brasileira, pois confronta duas formas de ver e administrar uma nação. Ganhamos muito com isso, mas perdemos muito quando apenas uma das visões de governo tem a oportunidade de demonstrar do que realmente é capaz. E neste caso não há como comparar as administrações de estados e municípios, pois a “direção da boleia” do Brasil se dá mesmo é em Brasília, para onde vai a grande parte do nosso rico dinheirinho em forma de impostos.

Por que não voto na Dilma? Porque não concordo com os últimos e recentes casos de corrupção, mas principalmente pelo mesmo motivo exposto acima. Precisamos colocar a prova formas de governo diferentes para poder saber em médio e longo prazo quais das opções trarão mais retorno à população dentro e fora do país.

E se Aécio fizer um melhor governo com vários avanços ao Brasil, inclusive no âmbito social? Note que não estou dizendo que ele vai fazer este excelente governo. Na sua análise, existe esta possibilidade ou não? Ao fim, se percebermos em outubro de 2017 que todos que as gestões anteriores do PT eram muito melhores, elejamos então candidatos do Partido dos Trabalhadores para governar o Brasil de 2018 até as décadas seguintes ou mais.

Convido você a fazer uma análise bem menos imediatista para que a nossa democracia possa ao final evoluir e possamos viver em um país mais soberano, democrático, com IDH acima das médias mundiais e sejamos referência não só no samba, nos esportes e nos atributos naturais, seja na batuta de representantes do PT ou PSDB.

Por fim, posso lhe dizer que, caso o PSDB estivesse a frente do Brasil de 2002 a 2014, muito provavelmente eu teria a mesma opinião e faria esta análise declarando meu atual voto a um representante do PT.

Vicenzo Berti
Florianópolis, 19 de outubro de 2014.


27 de set de 2014

O que deveríamos aprender com as antigas máquinas de escrever

Assistindo o horário político obrigatório na TV e vendo políticos de conveniência que trocam de partido a toda hora, deparei-me com um pensamento que me intrigou – no que exatamente o Século XX foi tão diferente do nosso atual Século XXI?

É importante salientar que não acho o Século XX melhor, mas trago aqui uma reflexão para que você pense comigo no que realmente mudamos nas últimas décadas.

Quando penso na diferença entre datilografar numa máquina de escrever e digitar num computador, penso na grande diferença entre escrever de forma definitiva com cada letra sendo carimbada numa folha de papel e digitar textos inteiros para salvar, imprimir e editar quando quiser. Sem falar nas possibilidades de enviar para quem quiser e principalmente apagar um erro e refazer o que for necessário.

No Século XX, caso datilografássemos algo errado ao final de um texto, muito provavelmente usaríamos alguma forma entre as existentes para disfarçar o erro, pois datilografar tudo novamente sempre era uma tarefa muito trabalhosa. Hoje não precisamos mais disso e podemos alterar um texto da forma como for necessário, tornando-o cada vez melhor ou mais adequado à situação. Assim como os textos que datilografávamos no Século XX, nossas ideologias e posturas eram mais definitivas. Hoje, assim como nos textos digitais no computador, smartphones e tablets, nós mudamos de ideia tão rapidamente como editamos novos textos, seja por convicção, conveniência ou qualquer benefício.

A máquina de escrever é só um exemplo disso. Mas quase tudo tinha que ser feito de forma definitiva, pois não havia a grandiosa possibilidade digital de edição. Não tínhamos rascunhos e muito provavelmente levávamos este espírito para a vida pessoal e profissional. No início do Século XX, um fotógrafo que ia captar uma bela cena de uma família só tinha poucas lâminas de chapas de vidro para fotografar. Aquilo era mágico e único, para o fotógrafo e principalmente para quem era fotografado. Era um evento. Hoje, com a fotografia digital em maquinas fotográficas, celulares, tablets e outros dispositivos, captam-se tantos instantâneos que podem ser compartilhados com milhões de pessoas que o ato em si virou banal. Hoje, a cada dois minutos são captadas mais fotografias do que todas as imagens captadas no Século XIX, quando o método moderno de fotografia foi criado.

Outro exemplo vem da área do design e arquitetura, onde todos os projetos eram feitos sobre uma folha imaculada de papel vegetal com desenhos em nanquim. Qualquer grande erro forçava o desenhista a refazer todo o desenho. As ações eram mais calculadas para que os erros fossem minimizados. Assim como no desenho técnico, hoje de certa forma parecemos não planejar tanto nossas ações. É como se tivéssemos a nossa mercê a possibilidade de corrigir o problema como uma edição digital, mas estou me referindo a vida real. O digital está nos forçando a executar nossos atos sem planejamento prévio, expor nossas opiniões sem antes pensar nas consequências que podem reverberar em nós mesmos, nos que nos cercam e até mesmo em pessoas que nem conhecemos. Temos vários exemplos de pessoas que, por achar que a Internet é uma terra sem lei, dão opiniões ou provocam ações compartilhando-as nas redes sociais sem analisar suas consequências.

E se precisássemos ter convicções mais firmes, sem rascunho ou edição, assim como no Século XX e os séculos anteriores?

Claro que é ótimo que possamos mudar de ideia frente a um argumento diferente, uma forma de pensar, outro credo e uma escolha sexual, mas no Século XX a nossa civilização ainda era muito ligada a posicionamentos mais firmes, o que trazia também um caráter mais fixo e pouco volátil. É indiscutível que hoje temos mais liberdade de expressão, pelo menos nos países desenvolvidos e em desenvolvimento que não fazem parte de ditaduras e regimes totalitários, ditos democráticos.  Mas será que não precisamos aprender um pouco com o velho é famigerado Século XX, que nos deu tantas guerras, catástrofes e genocídios?

Já estamos na segunda década do século. Que tal fazer esta experiência de ter que planejar muito bem um texto e digitá-lo em uma máquina de escrever?

A banalização de nossos posicionamentos e a possibilidade de que possamos alterá-los rapidamente acaba por nos tornar mais suscetíveis a líderes forjados para nos manipular, seja nos ambientes de trabalho, nas famílias e principalmente na política.

Em certa forma e em alguns aspectos, temos muito a aprender com os séculos que deixamos para trás. 

19 de set de 2014

8 Dicas importantes para criar o primeiro site de sua empresa

Segundo o Sebrae, o Brasil possui cerca de 5,7 milhões de pequenas e médias empresas contando com micro empreendedores (empresas ou individuais), mas deste número apenas 20% tem uma presença digital e seu básico website.

Sendo assim, 4,5 millhões de empresas ou micro empreendedores individuais ainda não têm uma forma de se comunicar com seus clientes e principalmente aparecer quando estão sendo procurados em mecanismos de busca.

Hoje, mais do que nunca, até a pessoa mais avessa ao mundo digital se rende a procurar algum produto ou serviço no Google para achar o melhor fornecedor, preço ou serviço.

Veja abaixo oito dicas que ajudarão você a colocar sua empresa no meio online.

1 - O que você faz?
Uma das coisas que mais ocorre com empreendedores que querem fazer seu primeiro site é que pela primeira vez verão a necessidade de revisar a política de apresentação e gestão de sua empresa, incluindo quais produtos, serviços, preços e prazos devem divulgar. É uma ótima oportunidade para rever algo que, agora pode ser feito de forma mais eficiente. Seja qual tipo de site e nicho de mercado atue, se sua marca não for conhecida, na primeira vista ele precisa mostrar claramente o que você faz, para o visitante não ter dúvida sobre o que sua empresa oferece. Além disso, os robôs digitais do Google vão adorar posicionar seu site de uma melhor forma caso você use claramente na primeira página palavras-chave que seus clientes buscarão em sua ferramenta de pesquisa. Exemplo: se você tem uma escola de idiomas, insira claramente na primeira página algo como “Cursos de inglês, espanhol, italiano e mandarim”. Se preferir, pode aproveitar para apresentar algum diferencial, como “Cursos de inglês, espanhol, italiano e mandarim em 12 meses”.

2 - O que a concorrência anda fazendo? 
Pesquise muito sobre o que a concorrência anda fazendo. Saber o que não fazer muitas vezes é o primeiro passo para monstar sua estratégia online.

3- Não faça rodeios!
Não importa o que você ofertará para o público, apresente sempre de forma rápida, simples, objetiva e eficiente o que você deseja mostrar. Evite muito linguagens rebuscadas, pois nem sempre seu público usa os termos técnicos ou específicos de seus produtos ou serviços.

4- Apresente um atendimento simples e rápido
Você está no site de uma empresa e quer entrar em contato para tirar uma dúvida, mas o endereço, número de telefone ou email não se encontram à vista. Que tal? Como você se sentiria frente ao desejo de comprar algo neste site ou com esta empresa?

5 - Identidade visual
Se você ainda não investiu na criação de uma identidade visual para o seu negócio, faça isso antes mesmo de pensar seu site. Seja para seu cartão de visitas, panfletos, fachada da loja, cardápio, site, fanpage do Facebook ou mesmo para o uniforme de seus funcionários, você deve mostrar ao cliente que tem uma marca forte, bem planejada e que representa um produto ou serviço que deve ser contratado. Investir na contratação de um profissional que faça um planejamento a longo prazo do uso de sua marca em vários canais é uma das primeiras estratégias de negócio que você deve ter. O nome fantasia de sua empresa será a porta de entrada dos clientes.
Já ouviu falar que nós comemos pelos olhos? Esta expressão não inclui apenas os produtos do ramo de alimentos; ela também pode, e deve, ser utilizada para quaisquer empreendimentos.
Ah, e não custa sugerir que vale a pena investir na contratação de designers ou webdesigners, e não nos famosos “sobrinhos”. Muitas vezes freelancers e “sobrinhos” acabam por mudar de ramo de atividade ao longo do processo e você e sua empresa ficam a ver navios. Se puder, contrate uma empresa para poder contar com ela quando for necessário.

6 - Invista em qualidade e não apenas em quantidade
Sempre que possível leve em consideração que comemos pelos olhos, como já citado. Apresente em seu site imagens que agreguem valor ao seu negócio. Elas podem ter sido captadas por você, por profissionais ou podem ser compradas em bancos de imagem.

Cada centavo do valor investido na produção ou compra de uma bela imagem retornará em vários múltiplos para sua empresa. Não economize centavos com a apresentação de sua imagem na Internet. O poder do clique, tão falado no início da Internet comercial na década de 1990, dá ao visitante a escolha rápida de simplesmente fechar a janela em que está aberta a tela do seu site e ir para o site da concorrência.

Em se tratando da maioria de sites comerciais, menos sempre será mais. Seja objetivo para seu possível cliente faça uma rápida absorção de conteúdos e decida pela compra.

7 - Seja amigo dos robôs do Google 
Ninguém está falando para você abraçar o Homem de Lata do Mágico de Oz ou a Rosie dos Jetsons, mas quanto mais você souber como são programados os robôs do Google, mais seu site será mostrado para o seu público.

A grosso modo, quanto mais links de domínios diferentes seu site tiver como referência na Internet, mais ele será considerado pelos algorítmos do Google como relevante para o seu público. Se você puder destacar alguém da equipe ou contratar uma empresa para criar e publicar conteúdos sobre o seu nicho de mercado em seu site e nas redes sociais, melhor o posicionamento de seu site no Google. Com estratégias de criação de conteúdo bem planejadas e publicações periódicas, o Google está entendendo que você pode ser uma potencial referência para o assunto tratado em seu site e acabará por mostrá-lo na frente de tantos outras referências.
Nunca, nunca mesmo, copie e cole textos que acha na Internet, fazendo plágio de outros autores. Além da ação indevida, seu site ficará mal posicionado nas buscas, pois os motores de busca sempre comparam textos similares e identificam o primeiro como o mais relevante.
Caso queira copiar um bom texto, sempre cite a fonte para que dê créditos para o autor e não seja mal posicionado nos buscadores da Internet.

8 - Contrate parceiros, não apenas fornecedores
Na escolha por quem contratar para fazer seu primeiro site, dê preferência para empresas que possuam uma equipe para lhe atender. O namoro será longo e você precisa de um parceiro que lhe dê segurança para a caminhada.

Leia mais sobre quem contratar neste outro artigo “Como contratar um designer ou programador para fazer meu site?

No mais, sucesso e felicidades com seu primeiro site e conte conosco para esta nova empreitada.

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Vicenzo Berti é sócio da EquipeDigital.com e trabalha com internet desde o milênio passado. Já trabalhou com vários projetos digitais no Brasil, em Portugal, Canadá, outros estados brasileiros e principalmente em Florianópolis, Santa Catarina.

2 de set de 2014

5 motivos para você ter um site responsivo (ou responsive)

Você deve estar pensando “credo em cruz esta Internet inventa um novo termo a cada segundo!?”.
Lá em 1998 quando eu e meus amigos nos aventurávamos a criar, desenvolver e publicar nossos primeiros sites na Internet, na mesma época em que líamos emails no Telnet com a tela preta e letras verdes a la Neo do Matrix, as telas de desktops tinham uma pequena variação de tamanho, 14 ou 20 polegadas (de tubo, claro) e as resoluções não passavam de 1024 x 768 pixels, sendo as mais utilizadas 800 x 600 pixels.

Telas de TV e monitores de Plasma, LCD e de LED, além de smartphones, tablets, notebooks e netbooks ainda eram uma ficção científica muito distante.

A grande variação de tamanhos e resoluções de tela é tão ampla que exigiu que os profissionais da web recorressem a uma única solução para criação de sites que fossem utilizados em dispositivos de diferentes fabricantes.

Foi neste cenário que o webdesigner e escritor Ethan Marcotte cunhou o termo "web design responsivo" (RWD), em um artigo da A List Apart. Embora passassem dois anos, foi em 2013 que o site Mashable afirmou que seria “o Ano do design responsivo” (Year of Responsive Web Design). No decorrer de 2013 a revista Forbes fez uma reportagem intitulada “Por que você precisa priorizar o design responsivo agora mesmo” (Why You Need to Prioritize Responsive Design Right Now).
Em 2014, com a guerra entre fabricantes de smartphones, TVs e tablets para lançar novos dispositivos cada vez mais potentes e versáteis, temos hoje inúmeros motivos pelos quais devemos apostar cada vez mais em sites responsivos. Veja abaixo a lista e os motivos definidos por nossa equipe.

1 – É mais caro, mas pense que um recurso de ponta vai durar mais
Assim como você deve pensar em comprar um computador com mais processamento e armazenamento para mantê-lo útil por mais tempo, sugerimos que pense o mesmo do desenvolvimento de um site responsivo. Custa mais caro, pois os designers e principalmente os desenvolvedores (programadores) passam mais tempo para planejar o layout e a implementação de seu site e sistemas que serão instalados nele, mas vale muito em longo prazo. Além disso, você corre o risco de desenvolver um site simples agora e acabar sendo pressionado pelo mercado para desenvolver um site responsivo a curto ou médio prazo.
Custa mais caro, mas você permanecerá com seu lindo site responsivo por mais tempo.

2 – Você nunca saberá em qual dispositivo seu cliente está usando
Na medida do possível seu cliente deve sempre ter a melhor impressão e experiência quando tiver acesso aos canais de comunicação de sua empresa. Com um layout responsivo você poderá apresentar formas mais adaptadas às telas de diversos tamanhos, tendo como o foco principal o usuário (cliente).

3 – Tela cheia nunca é demais quando se quer impressionar
O cliente visita seu site através da TV nova de LED 46 polegadas que ele acabou de comprar e vê seu site pequeninho no meio da tela. Que tal se ele acessasse seu site e o conteúdo fosse apresentado em tela cheia, enchendo a sala de estar dele com as imagens de sua empresa, produtos ou serviços? Bem diferente, não é mesmo?
Se você trabalha com um nicho de mercado que exige o uso de fotos como moda, fotografia, design, o uso de um site responsivo é quase oxigênio atualmente, pois você realmente precisa impressionar, seja pela experiência do usuário que é exigente como pelas belas imagens que deve apresentar de sua empresa.

4 – Ajude o Google a gostar de seu site
Claro que ninguém sabe exatamente como funciona o algoritmo do gingante da Internet, mas vários indícios levam a crer que o Google prioriza sites que são adaptados aos tamanhos diferentes de tela, justamente porque isso demonstra que este site é mais atual e relevante.
Não custa dar uma ajudinha para que seu site fique bem na foto perante o oráculo digital.

5 – Tendência frente aos concorrentes
Nunca é demais impressionar o cliente mostrando que você está à frente de seus concorrentes. Pense no seu cliente em potencial entrando em seu lindo site responsivo e depois visitando o site simples de seu concorrente. Seu site é a primeira fachada que seu cliente verá de sua empresa, quer sejam suas atividades apenas online, apenas offline ou inline (offline e online).
O mercado pressiona os desenvolvedores de internet a mudar suas estratégias e tecnologias, pois os tamanhos de tela vêm aumentando cada vez mais. Ou melhor, aumentaram com os monitores e televisores conectados à Internet e depois reduziram, com os smartphones e tablets. Em 2017 visitar um site não responsivo será como hoje acessar um site feito para resolução de 800 por 600 pixels, apresentando os conteúdos no meio da tela de forma bem estreita.

Procure sempre a assessoria de empresas ou profissionais que estão trabalhando com a ponta da tecnologia online. Caso a empresa não desenvolva sites responsivos, faça contato com outras empresas.

O responsivo veio para ficar e dominará o desenvolvimento web por longo tempo, pois cada vez mais temos variações de telas e dispositivos no mercado.

Vamos fazer um site responsivo? Entre em contato com a EquipeDigital.com e faça já um orçamento sem compromisso. Se tiver dúvidas sobre este artigo, entre em contato :)

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Vicenzo Berti é sócio fundador da EquipeDigital.com em Florianópolis/SC e trabalha com internet desde o milênio passado. Já trabalhou com vários projetos digitais no Brasil e no exterior.

30 de jul de 2014

7 erros frequentes a serem evitados em currículos


Há pelo menos 20 anos tenho feito seleção de estagiários e profissionais para as áreas de administração, tecnologia, design e comunicação. Neste tempo todo o que mais vi não foram currículos elaborados para a vaga em aberto, mas sim compêndios de conhecimentos e realizações, além de observações que nada tem a ver com a vaga.

Em todas as seleções que participei as vagas foram preenchidas com candidatos aptos e excelentes (um abraço e obrigado a todos), mas na grande maioria dos casos os currículos não eram nem mesmo adequados para a vaga.

Veja abaixo alguns erros típicos que você pode evitar na hora de planejar, redigir e diagramar seu currículo, seja para o envio para vagas em aberto ou para bancos de talentos. 

1 – Nem sempre o mais simples é o melhor
Sim, você tem que ser o mais objetivo e sucinto possível, apresentando o menor e mais eficiente currículo que possa. Mas isso não quer dizer que você deve apresentar uma simples folha de papel redigida em Times New Roman corpo 12 em fundo branco.]

Invista na diagramação de seu currículo. Mesmo para áreas e cargos mais exigentes e sérios existem vários formatos com uma apresentação ímpar e com tópicos bem apresentados.
Se você é da área de design e comunicação, busque diagramar seu currículo com fundos diferenciados e tópicos com ícones para ressaltar como você é criativo mesmo em seu currículo. Se for de uma área mais séria, que exige um formato mais sóbrio, invista na contratação de um profissional ou amigo da área de criação para que seu currículo possa se destacar dos outros candidatos.

Claro que o que importa é o conteúdo do seu currículo. De nada adianta ter pouca ou quase nenhuma experiência e ter o currículo bonitão. Mas se o seu currículo tiver conteúdo e boa apresentação, for criativo mesmo que para uma área mais sóbria, pode ser um bom critério de desempate para o selecionador chamá-lo para uma entrevista. 

2 – Não aparente viver no Século XX
Invista na maior quantidade de canais de comunicação possível. Na era da Internet, soa estranho um designer, publicitário e outros profissionais da área de criação não terem um portfólio digital, assim como qualquer outro profissional ou estudante em busca de oportunidades no mercado de trabalho não ter seu currículo online.

Seja no LinkedIn ou em outro site ou rede social, você deve mostrar seu perfil e trabalho ao mundo. De quebra, no LinkedIn, o selecionador pode acessar as recomendações de seus antigos chefes e colegas de trabalho.

Quando for solicitado o envio de portfólio, envie o link de seus trabalhos.
Para o currículo, “pelamordedeus”, nunca envie um “.doc” do Microsoft Word. Sempre dê preferência pelo envio de PDFs ou também por currículos online (LinkedIn e outros).
Dê a impressão de ser uma pessoa conectada e entrosada com os novos (nem tão novos assim) meios de comunicação. 

3 – Não apresente experiências que não tem relação com a vaga
Omita experiências que sejam muito fora da área da vaga. Faça o seu currículo o mais focado na vaga possível.

Se a vaga for para analista de marketing, não adianta mostrar que há três anos você foi um garçom e atendeu como recepcionista de um hotel. Claro que estas experiências colaboram para seu entendimento do mundo e até podem vir a colaborar para seu trabalho na futura vaga, mas muitos selecionadores podem ver isso com maus olhos, achando que você demorou muito para entrar no mercado de trabalho para a área de trabalho em questão.  

Sempre que possível, pense no perfil do selecionador, da empresa e, sobretudo, da empresa que você está interessado em trabalhar. Na redação de seu currículo você perceberá que tudo muda quando temos em mente quem fará a leitura de seu currículo.
Lembre-se, o que não importa, não interessa no currículo. 

4 – Se for bonita(o), deixe para impressionar na entrevista
A menos que tenha sido solicitado, não coloque em seu currículo algo que não foi solicitado, como foto, seu CPF, RG, CNH e outros dados.

No caso da inserção de sua foto, quase sempre pode parecer que você quer impressionar pela aparência e não pelo que você sabe ou é capaz. Em alguns casos é imprescindível uma boa imagem, mas deixe para impressionar na entrevista.

Tenha um foco sempre no que a empresa terá de retorno com sua entrada na equipe. Você contrataria alguém pela aparência física em detrimento dos conhecimentos exigidos (não vale vaga de modelo)?
A menos que você tenha pressa e prazo para o envio do currículo, redija-o e mostre a outras pessoas de confiança. Uma boa tática é salvá-lo e ler no outro dia para ter outra percepção do que você escreveu. 

5 – Nunca minta sobre idade, nível e itens de seu conhecimento
Não vale a pena passar pela péssima experiência de pagar mico dizendo que sabe falar inglês e na hora o entrevistador descobrir que você nem sabe o elementar.

Fale mais sobre suas qualidades, experiências e nos resultados alcançados por você nas últimas atividades profissionais do que em algo que você ainda não pode dizer que entende.

Lembre-se: se você é bom naquilo que a empresa procura, o que importa é se você é uma boa pessoa que vai agregar valor e dar retorno à equipe a qual quer trabalhar. 

6 – Não aparente estar louco pela vaga
Comentários em seu currículo ou mensagem de email que denotem que você está desempregado ou loucamente disponível podem denegrir todo conhecimento que você tenha, mesmo que seja focado na vaga.

O que o recrutador entenderá de algumas frases típicas dos currículos: 

O que você pensou em dizer: Tenho disponibilidade imediata
O que o recrutador entenderá: Estou desempregado, desesperado ou estou louco para sair do atual emprego.
O que você deve dizer ou escrever: Dependendo dos planos da empresa para início dos trabalhos, estarei disponível mesmo reavaliando outros compromissos.  

O que você pensou em dizer: Gostaria muito de trabalhar nesta empresa.
O que o recrutador entenderá: Por favor, me selecione o mais rápido possível.
O que você deve dizer ou escrever: Avaliei bastante os valores e objetivos da empresa e acredito que poderia agregar valor nesta equipe e obter excelentes retornos à empresa.

7 – Não tente impressionar
Nunca, definitivamente nunca, aparente mostrar que você deu uma de espião e sabe tudo sobre a empresa e muito menos os nomes e cargos dos membros da equipe. Isso pode demonstrar que você está interessado até demais na vaga.

Faça sua avaliação da empresa, mas não utilize isso para tentar mostrar que você é melhor para a vaga. Utilize a pesquisa sobre a empresa para formular de forma mais focada o seu currículo.

Em geral, mostre o que você tem de melhor desde que seja interessante para a empresa, para o recrutador e para você mesmo. Antes de pensar no que escrever, pense se você contrataria a si mesmo para a vaga em questão. 

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Vicenzo Berti é sócio da EquipeDigital.com em Florianópolis/SC e trabalha com internet desde o milênio passado. Já trabalhou com vários projetos digitais no Brasil e no exterior. 



12 de jul de 2014

Como contratar um designer ou programador para fazer meu site?

Como contratar um designer, como contratar um webdesigner, como contratar um programador ou com o que devo me preocupar para fazer meu site? São questões que certamente já passaram pela cabeça de muitos empresários, gerentes e diretores. Seguindo os passos abaixo você certamente minimizará muitos problemas. 

Planejamento
Antes de contratar alguém para fazer seu site você deve primeiro saber exatamente quais são seus planos para com o site. Deseja apenas um site para divulgação? Venderá diretamente pela internet (loja virtual)? Utilizará o site como ferramenta de intranet para clientes, fornecedores ou colaboradores? Qual o objetivo real do site?

Lembre-se que as possibilidades na internet são ilimitadas e que você pode utilizar todos estes recursos para turbinar seu negócio, mas se isso tudo não for planejado, de nada adiantará esforços dispendiosos e você estará dando tiro na água.

Antes de procurar alguém para fazer seu site, tente saber quem é seu público, montando perfis e detalhando o máximo possível sobre qual o tipo de cliente você já tem ou acha que teria com seu novo projeto. Trabalhando com base em perfis certamente você e a equipe que você contratará, seja agência digital ou freelancer, terá maior assertividade nas ações de construção do site e sua divulgação.

Exemplo de resultado de levantamento de perfis:
Atividade da empresa: Venda de pneus.
Homem de 25 a 65 anos.
Casado ou com relacionamento sério.
Problema: Precisa trocar os pneus do carro que estão carecas.
Deseja boa relação custo-benefício para troca dos pneus. 

Existem várias formas de levantar seus perfis de público. A forma mais simples de levantar o perfil deste público é pesquisar na internet sobre o que este público está pesquisando. Procure por comentários em posts de redes sociais, em sites de vídeo, em sites de respostas e vários outros canais. 

A forma mais profissional de fazer este levantamento seria contratar uma empresa específica para este serviço, o que sugiro expressamente, mas tudo dependerá de suas possibilidades de investimento.
É importante que você visite os sites de seus concorrentes diretos, de empresas de outras cidades, estados e até mesmo de outros países para se inspirar e também para ter certeza do que não deseja para sua empresa e principalmente para seu público. Anote tudo, tudo mesmo, até mesmo o que você não gostou. Todas as suas anotações serão muito úteis aos profissionais que trabalharão em seu projeto web.

Se você tiver mais claro o que quer será muito mais fácil obter um orçamento perante a empresa ou profissional que fará seu site, loja virtual ou sistema. Além disso, metade das perguntas que os profissionais fariam, ou deveriam fazer, já estarão sanadas. Faça anotações no papel com itens, desenhos, rascunhos e depois monte um documento claro com comentários sobre cada ponto, separados por páginas.

Exemplo: 
Links desejados
1 - Home (inicial)
– Sliders com imagens e textos rápidos sobre os principais serviços [imagens com rostos humanos];
- Texto de apresentação [explicando o que fazemos incluindo tags para Google];
- Vídeo para rápida apresentação da empresa;
- 3 boxes pequenos com destaque para os diferenciais da empresa;
- Rodapé.

2 - Link A Empresa
Texto de apresentação da empresa com foto da fachada da loja de pneus.
3 – Serviços
Lista de serviços.
etc etc etc....

O que não gostei
- Alguns sites de concorrentes meus utilizam muitos slides na capa do site. Não gostaria disso no meu site;
- Percebo que alguns sites tem muitos textos. Quero ser mais direto. 
Para todos os pontos, lembre-se de que não deve planejar algo que não dará conta depois, tal como links de notícias que depois ficarão desatualizados, galerias de fotos e outros itens que muitas vezes são incluídos e depois ficam obsoletos. Não há nada pior na internet atual do que chegar a algum lugar e nada encontrar. A regra é: se não vai atualizar, não divulgue.
Depois de planejar exatamente o que quer, lembre-se que esta não é sua praia e que certamente é importante expor o que planejou e aguardar que o profissional de internet faça seus comentários e colabore com novas ideias e alterações ao seu planejamento original. Já que você fez uma ampla pesquisa para selecionar uma boa empresa, confie a seus profissionais para que cheguem na melhor solução. 

Quem contratar
Sobre quem contratar? Seguem dicas abaixo:
Como procurar um webdesigner ou agência digital?
Minha dica principal é que você confie em sua rede de contatos diretos e confiáveis. Pergunte a seus amigos que possuem empresas e projetos particulares quem eles contrataram e se tem boas referências para profissionais e agências digitais (de internet).
Se conseguir uma boa indicação, avalie o portfólio da empresa e todos os pontos levantados neste artigo. Mesmo com uma boa indicação é importante que você se sinta bem com a equipe que se tornará sua parceira.

Caso não tenha conseguido indicações, faça uma busca no Google para obter relações de empresas. Considere a contratação das empresas que estão bem colocadas no Google, pois se o algoritmo do “grande irmão digital” selecionou estas empresas é porque certamente elas respondem pelos sites mais relevantes para a relação de palavras-chave que você digitou em sua procura. Não é apenas coincidência que somente empresas estarão na lista principal da primeira página do Google para as principais combinações sobre criação de sites. Procure por “criação de sites em SUA CIDADE”, “agência digital em SUA CIDADE”, “empresa criação sites SUA CIDADE” e outras combinações parecidas.

Selecione no máximo cinco empresas, de preferência em sua cidade, avalie seu portfólio (qualidade para projetos gráficos e design), maiores clientes (crediblidade), tipos de serviços (abrangência web) e faça contato.

Para fazer contato, tenho também uma dica boa. Faça contato por um canal secundário, como facebook ou Twitter. Se a empresa não responder em até dois dias úteis, é porque não há uma área ou responsável pelo atendimento da forma que deveria. Uma boa empresa de web estará ou deveria estar preocupada com sua presença digital e estará sempre atenta aos contatos por todos os canais possíveis e prováveis que estariam abertos na web.

Lembre-se que muitos projetos devem contar com reuniões presenciais para captação de seus requisitos. Apenas sites simples de divulgação contam com planos fechados. Projetos maiores não devem ser orçados com listas de requisitos. Numa reunião presencial muitos pontos podem ser retirados e outros acrescentados pela redução nos investimentos necessários e qualidade do projeto. 

Sobre a empresa a ser contatada
Solicite orçamento com base em seu planejamento e não deixe de visitar a empresa. Assim você poderá perceber se o que a empresa apresenta na Internet é real ou se o site deles apenas engana. Além disso, como já citado, a empatia com o profissional, com a empresa e com o estilo de projetos gráficos (layouts) criados é crucial para o sucesso de seu projeto.

Neste momento é legal perguntar qual a metodologia utilizada para construção do site (HTML5, CSS3, PHP etc.), qual o planejamento feito para seu projeto, qual o sistema de atualização (CMS), se há algum workflow utilizado para produção (metodologia), além dos clássicos prazos, formas de pagamento etc. Boas empresas possuem métodos bem experimentados para que não haja nenhum ponto esquecido na produção. Na EquipeDigital.com nossa equipe trabalha com a criação de sites e sistemas desde o milênio passado e hoje temos um documento de briefing que conta com 14 páginas muito bem detalhadas. Assim, temos um checklist de toda a produção. Detalhes não previstos em algum projeto podem ser anotados e toda equipe tem acesso ao documento durante toda a produção. Trata-se de uma documentação única sobre o projeto e pode ser consultada inclusive depois do projeto já concluído. Pergunte sobre qual a metodologia de trabalho antes mesmo de contratar.
Fazer perguntas avançadas seria uma ótima ideia. Pesquise sobre os temas que citarei abaixo, saiba do que se trata por alto e pergunte para o profissional que lhe atender se estes conceitos serão tratados no projeto caso seja feita a contratação. Pergunte sobre usabilidade, arquitetura da informação, ergonomia e marketing digital.

Falando em marketing digital, sugiro que dê preferência por empresas que possam lhe prestar um serviço completo, com planejamento digital, criação de sites e canais de redes sociais, curadoria de redes sociais e geração de conteúdo, além de campanha de links patrocinados e outras soluções de divulgação. Foi-se o tempo em que bastava criar um site e publicá-lo na internet. Agora é necessário divulgá-lo, e muito. Comparo a atual situação da internet a uma cidade em ampla expansão urbana. Quando a cidade ainda era pequena, bastava abrir uma loja no centro da cidade e obter o retorno (web da década de 1990). Com a cidade maior, é caro ter uma loja no centro e mesmo que você tenha ainda precisa anunciá-la, pois há muitas lojas concorrentes (situação atual da web, sobretudo em capitais). 

Para contratar
Depois de analisar cada ponto do orçamento e escolher a empresa, peça para ter acesso a minuta do contrato, tire suas dúvidas e firme o contrato, que certamente deve prever todos os itens contratados e toda a conduta de ambas as partes para que não haja problemas. Pergunte sempre e não fique com nenhuma dúvida. Caso seja necessário, fique atento que seu projeto pode sofrer adaptações. Além disso, sempre há limitadores, tais como cotas de e-mail e armazenagem de arquivos na hospedagem de seu site, tempo máximo de suporte via contrato e outros.

Por último, deixe a empresa dar o máximo de si e leve sempre em consideração que nem sempre o que você acha que é bom para você é bom para seu público e consequentemente para seu negócio. Deixe a empresa que fará o site dar sugestões e analise cada ponto. Ótimas e novas ideias surgirão na primeira reunião de briefing e, se tiver ao lado bons profissionais, você certamente verá seu negócio de uma forma que nunca viu. 

Credibilidade, comprometimento e parceria (empresa ou agência versus freelancers)
Pense que você precisa de alguém para fazer seu site, mas também precisará fazer alterações, atualizações, manutenções, suporte e não poderá ficar na mão. Neste caso, é imprescindível que não pense em curto prazo e procure alguma equipe a qual você tenha empatia. Você não precisa apenas de um fornecedor, mas sim de um parceiro. Lembre-se disso!

Credibilidade e comprometimento são cruciais em quaisquer áreas do mercado, mas nas áreas que envolvem novas tecnologias e inovação, é tradicional que profissionais aventureiros queiram se embrenhar em atuações que não possuem a mínima noção ou formação. Sua garantia maior será, além de um bom contrato de prestação de serviços, a estabilidade da empresa contratada, que deve ter pelo mais de três pessoas para atendê-lo.

Existem muitos freelancers bons, mas a grande maioria dos bons serviços de internet é prestada por empresas que podem manter equipes para prestar um serviço de qualidade para você. Sugiro que você procure uma agência digital, uma empresa que poderá proporcionar para seu projeto uma equipe que incluirá profissionais de várias áreas do conhecimento como design, programação (TI), comunicação (jornalismo, publicidade etc.), entre outras áreas.

Se você contratar uma empresa, sempre que precisar do profissional que fez seu site e ele não estiver na empresa, a secretária ou outro colega poderá anotar o recado e, mesmo na ausência definitiva do profissional, alguém dará jeito no seu problema. 

O site está feito, e agora?
A grande maioria dos empreendedores pensa que feito o site tudo está resolvido, mas é só o primeiro passo conquistado e muitos ainda estão por vir. Agora é hora de trabalhar para ativar sua empresa no mundo digital divulgando o site como canal principal para os clientes.

Embora você esteja preocupado primeiro com seu site, sugiro que já tenha planejada a parte de divulgação do site mesmo antes de terminar sua produção. Dependendo do projeto, os investimentos em divulgação são imensamente maiores do que os investimentos em criação, manutenção e infraestrutura.

Caso você ainda tenha alguma dúvida, envie uma mensagem para nós, através de nossos canais de redes sociais (Facebook, Twitter) ou ligue para nossa empresa (48)3233-0606. 

Vicenzo Berti é sócio da EquipeDigital.com e trabalha com internet desde o milênio passado. Já trabalhou com vários projetos digitais no Brasil, em Portugal, Canadá, outros estados brasileiros e principalmente em Florianópolis/SC, onde reside. 

Glossário:
- Slider: area do site onde laminas com imagens são apresentadas uma de cada vez;
- Slides: imagens que são apresentadas no slider;
- Boxes: áreas quadradas onde são apresentados conteúdos;
- CMS: Content Management System, em inglês. Sistema utilizado em sites para atualizar os conteúdos do mesmo sem necessidade de muito conhecimento técnico;
- Workflow: Fluxo de Trabalho, em inglês. É a seqüência de passos necessários para que se possa atingir a automação de processos de negócio. 

1 de mai de 2014

A história da Capelinha do Menino Jesus de Praga de Araranguá, Santa Catarina

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Imagem captada em junho de 2013 da capela
Entre todos os familiares, meu pai, falecido em 2001, sempre foi um dos mais fiéis e participava muito das missas na Igreja Matriz de Araranguá, cidade onde morou praticamente toda sua vida. Conhecido como Dadinho, Everaldo Apolônio Remor Berti foi o criador da Capelinha do Menino Jesus de Praga.  Neste texto, faço questão de registrar esta história, pois tenho percebido nos últimos anos que, sobretudo por não haver publicação recente sobre o assunto, muito se tem conjecturado e inventado a este respeito.

No início da década de 1970, meus pais residiram em Curitiba, Paraná. Num certo dia adentraram em uma gruta presente na frente da Igreja de Bom Jesus, muito conhecida na cidade. Era uma gruta em homenagem ao Menino Jesus de Praga. Naquele dia fizeram uma promessa que viriam a cumprir ao retornar para Araranguá.


Já em 1975, construíram com recursos próprios um pequeno oratório, ou gruta, virado para oeste as margens da antiga estrada de chão que ligava Araranguá à localidade de Morro dos Conventos. Na pequena gruta cabia apenas a pequena estátua do Cristo menino. Com o tempo, percebeu-se a devoção da comunidade à figura do Menino Jesus, surgindo assim a necessidade de buscar melhorias para o santuário, já bastante procurado. 

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Imagem do Menino Jesus de Praga
Nenhum resquício da antiga e pequena gruta pode hoje ser percebido atrás da atual capela voltada para o leste, construída também por Dadinho em maio de 1980, com doações da comunidade e terreno doado por José Gennaro Salvador e Ana Ros Salvador, seus sogros.  Logo depois da construção da capela, Dadinho liderou uma campanha para a aquisição de bancos, altar, pintura, vidros e o muro do terreno. Em muito pouco tempo o Santuário do Menino Jesus de Praga ficou conhecido no Vale do Araranguá, em outras cidades e estados.

Hoje o Santuário do Menino Jesus é palco de muita devoção, comprovada na romaria que ocorre na Semana Santa com a participação de mais de 10 mil pessoas (dados de 2014), pelas inúmeras placas de graças alcançadas com relatos inclusive de pessoas de outros países. É inegável a presença da capelinha na vida religiosa cristã no Vale do Araranguá.

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Milhares de placas, cartas e fotografias são afixadas no local em agradecimento por graças alcançadas.

Hoje a capela é mantida pelos atuais proprietários do terreno onde está situada e do caldo de cana que é vizinho ao santuário. 



Sobre a história do culto ao Menino Jesus em Praga, na República Checa

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Estátua venerada em Praga

O Menino Jesus de Praga é famosa estátua de Jesus menino venerada na Igreja de Nossa Senhora Vitoriosa, em Praga, República Checa.

Acredita-se que a imagem tenha sido esculpida no século XVI na Espanha, em um mosteiro entre Córdoba e Sevilha, como uma cópia de outra estátua do local. Ali foi adquirida por Doña Isabela Manrique de Lara y Mendoza, que a deu como presente de casamento à sua filha Maria Manrique de Lara, quando esta desposou o nobre checo Vojtech de Pernstejn. Mais tarde a imagem foi transmitida à geração seguinte também como dote de casamento, quando sua filha Polyxena casou-se em primeiras núpcias com Vilem de Rozumberk. Permaneceu na posse de Polyxena até sua morte, quando foi doada aos Carmelitas Descalços de Praga, sendo instalada no oratório do seu mosteiro, onde recebia homenagens especiais duas vezes ao dia.

Com a eclosão da Guerra dos Trinta Anos as devoções foram suspensas, e em 15 de novembro de 1631 as tropas de Gustavo Adolfo da Suécia tomaram as igrejas da cidade. O mosteiro foi saqueado pelos soldados protestantes e a imagem do Menino Jesus foi lançada em um monte de entulho detrás do altar. Ali permaneceu até ser reencontrada em 1637, com os braços quebrados. Depois de seu restauro foi reentronizada e voltou a receber a devoção dos fiéis, sendo coroada pelo Bispo de Praga em 1655, evento que é relembrado anualmente por uma missa festiva no dia da Ascensão.



Curiosidade sobre a estatua do Menino Jesus de Araranguá

Em um episódio lamentável ocorrido em agosto de 1988 a imagem do Menino Jesus foi retirada e quebrada por vândalos, sendo localizada alguns dias depois nas furnas do Morro dos Conventos. Pela devoção já presente a época, a comunidade se uniu e ajudou a comprar outra imagem, que é a que está no local até hoje no oratório do Menino Jesus de Praga situado entre a área urbana de Araranguá e o distrito de Morro dos Conventos. 

Vicenzo Berti – vb@vicenzoberti.com.br 

13 de abr de 2014

Como escolher um bom terreno para construir sua casa




Se você está prestes a comprar um terreno para construir sua futura casa, deve se ater a alguns pontos importantes para procurar e principalmente para decidir entre as opções que você irá encontrar.

Veja alguns quesitos que você deve considerar sobre a localização do terreno:

Localização:
A localização de um terreno pode ajudá-lo a valorizar seu investimento a médio ou longo prazo ou ajudar você a economizar em segurança, transporte e consequentemente mais tempo para você aproveitar sua vida com sua família e amigos. 

Procure em imobiliárias confiáveis, mas também não deixe de procurar em jornais, anúncios de Internet e também diretamente nos bairros, falando diretamente com os moradores locais. Muitas vezes você pode achar bons negócios negociando diretamente com o proprietário, mas para isso tome diversos cuidados necessários. Lembre-se de que a negociação feita diretamente com o proprietário não trará a mesma segurança que a negociação feita com um corretor credenciado.
Defina em um papel o que é realmente importante para você na escolha de um terreno. Se você faz questão de viver em um local próximo ao seu trabalho, tente viabilizar a compra em bairros onde você não precise se locomover por horas, isso vai aliviar consideravelmente tempo de vida e proximidade com seus familiares. Se hoje o problema de trânsito impossibilita a vida das pessoas em médias e grandes cidades, no futuro será cada vez pior.


Locação do terreno
De forma alguma compre um terreno sem que este esteja devidamente demarcado. Muitos terrenos em áreas urbanas certamente estarão demarcados inclusive com muros em todas as limitações (frente, lados e fundos), no entanto muitos terrenos podem estar em áreas ainda em expansão e/ou fazerem parte de terrenos maiores e não demarcados.

Exija ao proprietário atual (vendedor) que ele arque com o custo da contratação de um topógrafo para demarcação clara do seu lote. Exija deste profissional a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) de seu estado. Além disso, tenha em mãos a escritura pública para que este profissional confronte as informações constantes neste documento para que não haja discrepâncias quanto aos limitantes do terreno.

Já que você vai contratar um topógrafo, caso seu terreno tenha algum declive ou aclive, peça ao topógrafo que já inclua eu seu levantamento as curvas de nível para serem utilizadas no projeto arquitetônico. Com isso o arquiteto terá a disposição os desníveis do terreno para, quem sabe, até mesmo utilizá-los para benefício do desenho de sua casa. 


Valorização
Escolher um terreno em um local que você sabe que é valorizado ou, melhor ainda, está valorizando é uma ótima idéia. Em algumas cidades a valorização imobiliária chega a dar mais de 50% de valorização para seu investimento em menos de 5 anos.

É provável que você vá morar no local e não imagina tão cedo vender o imóvel, mas uma casa deve e precisa ser considerada como um bem, embora seja um passivo (ver item Orçamento) eterno em sua vida. Além de fazer você se sentir bem morando em um local valorizado, isso pode ajudá-lo também a se preocupar um pouco menos com segurança pública.

Pergunte aos moradores do local, amigos e diversas outras fontes que podem lhe dar sinais sobre a possível valorização ou desvalorização do imóvel.

Faça TODAS as verificações possíveis e prováveis antes de comprar. O seguro morreu de velho!


Expansão urbana.
As cidades são organismos em constante transformação e desde os primórdios da humanidade quando as primeiras cidades nasciam nos cruzamentos de rotas comerciais e migratórias importantes, alguém sempre tirou proveito da expansão urbana. Você pode aproveitar também esta tradição da história da humanidade para escolher seu terreno em uma área que ainda não é valorizada, mas que em pouco tempo pode se tornar um local perfeito para se morar e principalmente valorizar seu imóvel. Tente perceber para onde a cidade está se expandindo e leve isso em consideração para a valorização de seu imóvel.

Se você ainda tem tempo e idade para se incomodar e não tem dinheiro para bancar tudo pronto, vale o incômodo de desbravar os sete mares. 


Preço atual do imóvel:
Claro que o que vou dizer é fácil e comum demais para ser dito, mas sempre que possível, negocie com dinheiro na mão. Muitas vezes dependendo da pressa do proprietário você pode conseguir até mesmo 40% de desconto ou mais. Eu mesmo consegui 21% de desconto no terreno que citei acima.
Sobretudo sobre o valor do imóvel não confie cegamente em corretores e imobiliárias, lembre-se que eles ganharão em cima do valor e por conta disso quanto mais você desembolsar, melhor pra ele. Seria muito mais plausível que os corretores ganhassem um valor fixo com patamares de tamanhos definidos, afinal muitas vezes o trabalho dele será praticamente o mesmo, independente do tamanho ou valor do imóvel. O inchaço no preço da terra hoje nas cidades se dá na maioria das vezes pela ambição dos profissionais envolvidos nas negociações imobiliárias. Basta dizer que quanto mais os terrenos valorizam, mais eles ganham.
Se você tiver algum tempo, disposição e puder buscar os conhecimentos necessários, poderá negociar e fazer todos os trâmites burocráticos ou comerciais sozinho, diretamente com o proprietário.
Ao final você terá quase uma centena de possibilidades que estarão na sua cartela de opções. Para cada uma das opções, enumere prós e contras e faça uma peneira em etapas. Se você ao final do processo tiver cinco opções, visite novamente o local e siga sua inteligência emocional, chamada popularmente de intuição. Eu, por exemplo, costumo confiar muito nesse poder inerente a todos.


Vista:
Para algumas pessoas este é um dos quesitos mais importantes na compra de um terreno. É o meu caso.
Independente do negócio que você estiver fazendo, a vista poderá agregar valor suficiente ao seu imóvel para que você tenha um excelente cartão postal na janela de casa e, se um dia for necessário, você convencer facilmente o comprador de seu bem.
Muitas pessoas trocariam tranquilamente um imóvel maior sem vista por um menor com uma vista boa.


Legalização e documentação:
Do imóvel - Gostou do imóvel? Calma, não compre ainda!
Agora você terá que ver se seu pedaço de terra está desimpedido de qualquer problema legal e judiciário. Caso você tenha um corretor envolvido na venda, ele mesmo fará o trâmite, ou pelo menos deveria fazê-lo. Com ou sem corretor, exija a declaração de débitos no cartório de registro de imóveis. Todo terreno é registrado neste tipo de cartório. Com esta documentação você terá a certeza de que o terreno é da pessoa que propõe vende-lo e que não possui impeditivos legais como, por exemplo, inventários familiares, falência de empresas e outros impeditivos que fariam de sua compra um mar de problemas.

Se estiver tudo certo com o terreno e com o proprietário, é neste mesmo cartório que será feita a transferência de seu imóvel.

Do atual proprietário – O proprietário é gente boa? Calma, ele pode realmente ser gente boa, mas pode também ter um grave problema judiciário ou pendência financeira que envolve seu futuro imóvel. Peça ao corretor ou busque você mesmo as negativas do proprietário com o município, com o estado, com o cartório de protestos, com a comarca local (Fórum) e com o Governo Federal. Algumas negativas do Governo Federal você mesmo pode ter acesso pelo site da Receita Federal apenas com o nome e CPF do atual proprietário. Caso haja alguma pendência, informe ao proprietário e/ou corretor para que seja sanada. Caso o proprietário não queira sanar a pendência, avalie desistir do imóvel, pois qualquer pendência com o imóvel ou com o proprietário poderá trazer uma herança horrível para seu sonho da casa própria.

Lembre-se que qualquer exigência sua quanto à documentação do imóvel ou do proprietário é seu direito. Se a pendência for, por exemplo, um inventário, considere seriamente a possibilidade de desistir rapidamente, pois este tipo de processo jurídico pode durar décadas. 


IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano)
Em muitos casos, sobretudo para terrenos baldios onde se podem construir casas, podem existir pendências com o pagamento do IPTU na prefeitura local. Caso o terreno que você possua esta pendência, exija que o proprietário quite este débito ou negocie com ele o desconto deste valor na negociação. Pode valer a pena negociar com o proprietário, pois depois você poderá também negociar a quitação do valor na prefeitura municipal com um bom desconto. 


Consulta de viabilidade na Secretaria de Obras do município
Muitos deixam para avaliar isso após a compra, mas a consulta de viabilidade, feita diretamente nos órgãos das prefeituras municipais como secretarias de obras ou institutos de urbanismo são de suma importância para seu planejamento. A partir deste documento é que você poderá saber quanto pode construir (taxa de ocupação), quantos andares poderá executar (gabarito) ou mesmo os afastamentos que deve fazer no entorno do imóvel e principalmente na parte da frente de sua casa.

É MUITO IMPORTANTE você pedir a consulta de viabilidade antes da compra! Em alguns casos você pode comprar um terreno e ficar apenas com a metade ou um terço da área total para poder construir seu sonho.

Caso o corretor ou proprietário já tenha uma consulta feita, peça uma cópia do documento e vá até o órgão emissor para validar o documento. Na hora de vender um imóvel que vale muito, nunca se sabe se o documento sofreu alguma rasura ou alteração. Lembre-se, o seguro morreu de velho!

A menos que você tenha muito dinheiro e este não faz falta para você NUNCA compre imóvel sem Escritura Pública!


Averbações
Evite ao máximo adquirir terrenos que ainda não foram averbados e legalmente ainda façam parte de terrenos ou glebas maiores. Estes terrenos fazem partes de terras mais extensas, sendo que seus proprietários nunca os tornaram terrenos autônomos. Este é mais um empecilho aos financiamentos imobiliários, pois legalmente estes terrenos ainda não existem de forma isolada para os órgãos municipais e cartórios.

Caso valha muito a pena investir num terreno nestas condições, entre em acordo com o proprietário para averbar o terreno para a venda, negociando inclusive todos os custos dos trâmites dos profissionais envolvidos (engenheiros, topógrafos, arquitetos e advogados) e com as taxas de cartórios e bancos. Se possível, faça isso antes mesmo da compra do imóvel, pois a própria demarcação do terreno pode ser reavaliada pelo atual proprietário após a conclusão da venda e daí... você já sabe. O seguro morreu de velho!


Zoneamento
Já que você terá um imóvel só seu, não custa saber qual são as intenções da prefeitura e órgãos urbanos com a área e proximidades de seu terreno.

Em sua consulta de viabilidade você terá a resposta a qual zona da cidade seu terreno está situado. Caso você tenha alguma dúvida, pergunte aos arquitetos e engenheiros da secretaria de obras e institutos urbanos sobre a compra do imóvel. Com base em códigos como ARE (Área Residencial Exclusiva), ARM (Área Residencial Mista), ACM (Área Comercial Mista), AVL (Área Verde de Lazer), APP (Área de Preservação Permanente) ou APPP (Área de Preservação Permanente Privada), você terá a resposta a estas questões. Em muitos casos os websites das prefeituras já apresentam o zoneamento da cidade e até mesmo o seu plano diretor urbano, mostrando o planejamento em muitos anos à frente.


Infraestrutura urbana
A simples proximidade com terminais de ônibus ou metrôs, escolas, hospitais, centros médicos, supermercados e universidades pode auxiliar você na escolha pelo melhor local para escolher um terreno. Avalie também este quesito, pois cada caso é um caso.
Faça projeções de como será sua vida em médio prazo, como por exemplo, onde estudarão seus filhos
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Acessibilidade
Cada cabeça uma sentença. Para cada pessoa uma realidade pode ser a mais correta ou não. Sendo as escolhas são muito pessoais, enquanto alguns preferem morar em uma praia e todo dia enfrentar mais de trinta minutos no trânsito, outras preferem ir à praia apenas quando querem e chegar rapidamente no trabalho sem muito estresse. Nesta etapa da vida (36 anos), prefiro morar próximo ao trabalho e ir à praia somente quando quero, mesmo vivendo em uma ilha com quarenta e duas praias. Não suporto a ideia de passar horas no transito para chegar em casa ou no trabalho.

Para o seu caso, reflita sobre o que mais é interessante para você e se lembre de que a realidade e escolha do outro não é a mesma para o seu caso.


Segurança pública
Hoje este problema é geral a qualquer cidade, mas não se esqueça de avaliar a situação de seu futuro imóvel em relação a áreas em que exista muita atividade criminosa, tais como tráfico e outras.


Segurança estrutural
Embora não muito comuns a áreas predominantemente residenciais, barragens, grandes vias, áreas de encosta, presença de grandes empresas ou de empresas que trabalham com produtos químicos, todos estes perigos eminentes e outros devem ser avaliados. Você certamente não quer este problema para o futuro de sua família. Avalie este quesito com bastante cautela, sobretudo se o preço do terreno lhe parecer muito atrativo e o negócio parecer uma “barbada”. 


Custo com transferência (ITBI)
Em qualquer lugar que você compre um terreno terá que desembolsar de 2 a 2,5%  do valor venal do imóvel para a prefeitura municipal (verifique com a prefeitura de sua cidade). O valor venal é o valor que consta como sendo o valor atual no Cartório de Registro de Imóveis e está inscrito no Boleto que você recebe do IPTU do imóvel.


Projeto de vida
Por último e não menos importante, se você ainda não tem um terreno e está à procura do futuro trecho de terra onde edificará sua obra, lembre-se de que deve avaliar qual seu projeto de vida para as próximas décadas. A localização e o jeito que terá sua futura casa serão cruciais para o estilo de vida que você e sua família terão. Quantos filhos você terá, a proximidade com pais e irmãos, hobbies, áreas de lazer, tudo deve ser analisado. Na dúvida, avalie o caso de conhecidos e familiares seus e faça suas adaptações. 

Dica geral para todos os itens acima J: não deixe de anotar todos os pontos negativos e os positivos dos terrenos encontrados para futuras negociações de compra. Isso pode fazer toda a diferença e pode lhe dar um bom desconto na hora da compra. 

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http://construirasuacasa.com.br/

Conneça o livro "Como Construir sua Casa", de Vicenzo Berti.